13 Gatos Pingados: O Retrato do Nosso Deserto Cívico

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Treze. Esse foi o número vergonhoso de moradores que compareceram à audiência pública da LDO 2027. Mas calma, a matemática é ainda mais cruel: desses treze, cinco eram secretários municipais e outros cinco eram funcionários públicos. Eu estava lá como imprensa. Façam as contas: sobraram apenas dois cidadãos “comuns”.
​Este é o nível de interesse da população em decidir o destino do dinheiro público para o ano de 2027.
Prioridades…
​Claro, os motivos para a ausência eram “nobres”. Afinal, o capítulo da novela estava imperdível; era preciso fiscalizar a “doutrinação” da TV, ajudar o pastor a renovar a frota aérea ou debater as estratégias do BBB 26. Entre inventar teorias conspiratórias no WhatsApp e discutir o orçamento da própria cidade, a escolha parece óbvia para a maioria: o espetáculo vence a realidade.
Onde estão os “especialistas”?
​Curiosamente, não vi os catedráticos da UniFacebook, aqueles que inflam o peito para chamar o Executivo de “perdulário”. Não apareceram os revoltados dos grupos de “zap”, nem a imprensa que faz estardalhaço cobrando transparência entre quatro paredes.
​Eu não esperava um auditório superlotado — isso seria utopia, mais fácil eu adotar um unicórnio alado da SHI-A como meio de transporte. Mas será que esperar 0,1% da população é pedir demais? O problema é que, se estivessem lá opinando e construindo, como poderiam fazer pirotecnia nas redes sociais com notícias factoides e discursos rasos? Como alimentariam o “curral”?
​Do Silêncio dos Corredores ao Barulho do Nada
​Lembro-me de 1996, quando comecei como ativista. Naquela época, conseguir informações sobre gastos públicos era quase um ato de mendicância nos corredores da Assembleia e do Congresso. Dependíamos da boa vontade de funcionários para entender o básico e, só então, debater.
​Hoje, a informação está a um toque na tela. Temos aulas, portais de transparência e dados mastigados. Mas o resultado é irônico: temos 0% de interesse real e 99,9% de “midiatistas” que falam de tudo, mas não sabem de nada. Como disse o Dr. Zaqueu Connor Silva, em entrevista a mim consedida: “Quem sabe um pouco de tudo, não sabe nada de coisa alguma”.
​A Era dos PHDs em Orçamento Alheio

​Toda matéria publicada atrai uma horda de “PHDs em gestão pública” que não conseguem equilibrar o próprio orçamento doméstico, mas juram ser economistas de renome. No entanto, quando chega a hora de sentar à mesa e exercer a cidadania, eles fogem. É mais confortável — e muito mais divertido — se perder no Kwai ou em sites de entretenimento do que encarar a responsabilidade de decidir o futuro do município.
​A audiência da LDO 2027 não foi apenas vazia de gente; foi um vazio de espírito público. Texto e fotos Mayka Wogue

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