O Fantasma da Hipocrisia — Entre o Soco Inglês e a Moral de Vidro dos Torcedores

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Por: Mayka Wogue / Redatora Canal Língua Solta
​O Operário Ferroviário vive um fim de semana de esquizofrenia ética. Enquanto o time brilhava no gramado do Germano Krüger com um 3 a 0 categórico sobre o Londrina, as margens da BR-376 tornavam-se palco de um espetáculo de barbárie que deveria envergonhar qualquer um que se diz “apaixonado pelo clube”.
​Mas o que realmente dói não é apenas o estilhaço do vidro do ônibus adversário; é o estilhaço da coerência de parte da nossa torcida.
​A “Família” que usa Estilingue
​Nas últimas semanas, fomos inundados por manifestações de “luto”. Torcedoras e torcedores, imbuídos de uma retidão moral digna de tribunais inquisidores, vestiram-se de preto para protestar contra o patrocínio da plataforma Fatal Fans. O argumento? A preservação dos “valores da família” e da “imagem institucional” do Fantasma. Diziam que o clube não poderia associar sua marca ao mercado de conteúdo adulto de Andressa Urach.
​Pois bem. Onde estava essa “família” no último domingo?
​Enquanto o coletivo moralista se preocupa com quem os jogadores estampam no calção, cinco “paladinos” da torcida foram presos em flagrante com um arsenal que faria inveja a guerrilhas urbanas: soco inglês, barras de ferro, tacos de baseball, bombas e bolinhas de gude. O objetivo? Uma emboscada covarde contra um ônibus de visitantes.
​O Peso das Duas Réguas
​A hipocrisia é um prato que se serve frio em Vila Oficinas. É fascinante notar como o mamilo de uma modelo em um site pago parece agredir mais a “honra” do clube do que uma pedra arremessada contra a cabeça de um trabalhador na estrada.
​Para os críticos do patrocínio, o dinheiro de R$ 27 mil mensais é “sujo” porque vem do entretenimento adulto. Mas e o silêncio diante da violência criminosa? Esse silêncio é o quê? É higiênico? É aceitável?
​Não se viu, até agora, uma mobilização de “luto” nas arquibancadas contra os marginais que transformam o futebol em boletim de ocorrência. A moralidade dessa gente parece terminar onde começa o asfalto da rodovia.
​Valores de Conveniência
​O Operário não precisa de guardiões da moralidade que fecham os olhos para o crime. O clube precisa de receita para sobreviver à Série B e, acima de tudo, de uma torcida que entenda que civilidade é um valor institucional muito maior do que qualquer puritanismo de fachada.
​É fácil posar de ético contra uma plataforma de fotos. Difícil é encarar o espelho e admitir que o verdadeiro “fantasma” que assombra o clube hoje não está no patrocínio, mas na violência covarde que muitos preferem fingir que não veem.
​Quem se veste de preto por causa de um logo no meião, deveria vestir o quê depois de uma emboscada com soco inglês?
Nota da Editora: O Canal Língua Solta seguirá acompanhando a audiência de custódia dos cinco detidos. Porque, ao contrário de alguns, nossa única parceria é com a verdade — gostem dela ou não.

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