Pastores Ostentação e o Golpe do Cartão: Como Igreja em SP Virou Fachada para Fraude de R$ 263 Mil

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Com líderes foragidos na Espanha, Operação Chargeback da Polícia Civil desoculta esquema que usava a fé e a tecnologia para lesar gigantes do e-commerce. Por Mayka Wogue / canallinguasolta.com Uma mistura indigesta de discursos religiosos, empresas de fachada e tecnologia financeira. A Polícia Civil de São Paulo deflagrou a Operação Chargeback, revelando um esquema criminoso que parece roteiro de cinema, mas que causou um prejuízo real superior a R$ 263 mil aos sistemas do Mercado Livre e Mercado Pago.
​No centro do escândalo está um casal de pastores que, segundo as investigações, utilizava o endereço da própria igreja para sediar a empresa que operava as fraudes.
Fé, Links de Pagamento e Contas Clones
​As investigações, conduzidas pela 3ª Delegacia de Crimes Cibernéticos (Dicciber/Deic), revelaram que a base operacional da empresa fraudulenta funcionava no mesmo endereço da Igreja Virtude, localizada no bairro Vila Prudente, reduto da zona leste da capital paulista.
​O grupo se aproveitava de uma brecha comercial legítima e muito conhecida no comércio eletrônico: o chargeback (o direito de contestar uma compra no cartão de crédito quando o consumidor não reconhece a transação).
Como funcionava a engrenagem do golpe:
Geração do Link: A empresa sediada na igreja gerava links de pagamento oficiais.
​Simulação: Os links eram enviados para comparsas e pessoas ligadas ao grupo, que faziam “compras” fictícias de alto valor.
​Pulverização: Assim que o dinheiro caía na plataforma, ele era transferido imediatamente para contas de terceiros (“laranjas”), sumindo do radar.
​O Estorno: Dias depois, os mesmos compradores acionavam as operadoras de cartão alegando fraude. O dinheiro era devolvido a eles, e o prejuízo ficava integralmente com a plataforma de pagamentos, que já não encontrava fundos na conta de origem.
O Saldo da Operação: Alta Cúpula em Solo Europeu
​A ofensiva policial foi cirúrgica, mas os principais alvos conseguiram escapar do país antes de sentirem o peso das algemas. Marley Garcia de Almeida Frades e sua esposa, Aline Lopes Pereira da Silva, apontados como os mentores do esquema, já estão em solo europeu e são considerados foragidos na Espanha.
​Ao todo, o balanço da operação mobilizou o judiciário paulista:

Olho Aberto
​O caso acende, mais uma vez, o alerta sobre a facilidade com que organizações criminosas utilizam o ecossistema de contas digitais e a blindagem social de instituições religiosas para lavar dinheiro e aplicar golpes de engenharia financeira. Enquanto a polícia tenta viabilizar a extradição ou captura do casal na Europa, o rastro de contas bloqueadas e comparsas presos deve ditar os próximos passos do processo.
​Acompanhe os desdobramentos dessa investigação e os bastidores do caso aqui no Canal Língua Solta.

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