
Esse é um dos temas que mais gera dúvidas e também desinformação. Vamos aos fatos
Nas religiões de matriz africana, como Candomblé e algumas nações do Batuque, a sacralização de animais faz parte de rituais ancestrais trazidos da África. O ato não é feito de forma banal: ele segue fundamento religioso, regras específicas e respeito litúrgico.
É permitido no Brasil?
Sim. O Supremo Tribunal Federal decidiu que o sacrifício ritual de animais em religiões de matriz africana é constitucional, desde que não haja crueldade e que a prática esteja ligada ao rito religioso.
E depois do ritual?
Diferente do que muitos imaginam, a carne não é descartada.
Na maioria das tradições:
O animal é preparado e consumido em refeições comunitárias.
Parte pode ser destinada a oferendas específicas conforme o fundamento.
O princípio é o aproveitamento e o respeito, não o desperdício.
O ato é entendido como troca energética e alimento sagrado, semelhante ao que ocorre em outras tradições religiosas que também envolvem abate para consumo (como halal e kosher). A carne é preparada e servida aos participantes e frequentadores do terreiro após a cerimônia, celebrando a comunhão entre os vivos, ancestrais e orixás. Partes específicas do animal, frequentemente não comestíveis ou partes nobres, são oferecidas às divindades (orixás) como parte do axé (energia) e em sinal de gratidão.
O couro e outras partes podem ser utilizados na confecção ou manutenção de instrumentos rituais, como atabaques.
O abate é realizado por especialistas (axogum) com precisão para garantir que o animal não sofra, sendo considerado um ato de entrega e respeito à natureza e ao orixá.
A carne é considerada sagrada e seu consumo é parte integrante do axé, frequentemente sendo doada a pessoas necessitadas. Muitas das pessoas quando encontram uma oferenda com animal, normalmente uma galinha, julga como absurdo, crueldade e desperdício, mas os olhos veem oque a mente quer ver, ali, naquele alguidar, está a “farofa, a cabeça, ponta das asas, pés e penas do animal”, tudo cuidadosamente montado para que não se perca a forma do animal em vida. O corpo do animal é preparado para alimentos específicos e servido aos Orixás e aos convidados. Na prática, oque difere das churrascadas em devoção aos santos católicos, é que o alimento é compartilhado GRATUITAMENTE entre os membros, durante a quaresma cristã, toneladas de peixes são sacrificados para alimentação ritualística, durante a “semana da paixão”, abatedouros trabalham em ritmo frenético, para atender a demanda da população sedenta por carnes para o sábado de aleluia e domingo de páscoa. O sacrifício de animais nas religiões de matriz africanas, não se trata de violência gratuita, mas de um rito ancestral com significado espiritual profundo dentro dessas comunidades.
Informação combate preconceito.
Conhecimento reduz intolerância religiosa.

