
Por: Mayka Woguel/Redação 20/04/2026. Estamos em pleno abril de 2026, mas o cenário político brasileiro já se encontra em ebulição, antecipando uma corrida eleitoral que promete ser, acima de tudo, um espelho das nossas maiores contradições. Encerrada a fase do “troca-troca” partidário, as alianças de conveniência — ou o bom e velho conchavo — seguem a todo vapor, transformando o que deveria ser a festa da democracia em um verdadeiro “bacanal” de interesses mesquinhos.
O que se vê no horizonte é preocupante. Candidaturas nascem com preços fixados, antigos desafetos ideológicos se tornam aliados de ocasião por um punhado de votos, e o Paraná, especificamente, prepara o terreno para a repetição de farsas conhecidas: as candidaturas laranjas. Parece que o episódio do “padre de festa junina” de 2022 não serviu de lição, mas de manual de instruções.
Contudo, nada é mais emblemático e, ao mesmo tempo, assustador nesta pré-campanha do que o número de postulantes a cargos eletivos que, ironicamente, desfilam com tornozeleiras eletrônicas. Figuras envolvidas no financiamento e organização dos atos terroristas de 8 de janeiro, sob a sombra de processos judiciais, agora se apresentam ao público como os autênticos defensores da liberdade e da democracia.
É um paradoxo que desafia a lógica. O eleitor é chamado a depositar sua confiança justamente em quem, segundo a justiça, atentou contra o Estado de Democrático de Direito.
A lentidão do Poder Judiciário, três anos após a tentativa de golpe, cobra um preço alto da sociedade. Enquanto muitos dos arquitetos e financiadores da Intentona permanecem impunes, eles ocupam o espaço público, disseminam narrativas e buscam, com desfaçatez, o refúgio da imunidade parlamentar. A estratégia é clara: transformar a eleição em um escudo para a impunidade, mantendo vivo um ciclo de desmandos que a democracia não deveria tolerar.
O Canal Língua Solta alerta: o que está em jogo em 2026 não é apenas a escolha de nomes, mas a dignidade do nosso processo político. Não podemos permitir que o voto se torne um salvo-conduto para quem escolheu o caminho do golpismo. A “Eleição da Tornozeleira” é um teste de memória e de caráter para o cidadão brasileiro. Não podemos ser coniventes com o escárnio.
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