
Imagem Arquivo Carlito Kugler Se você mora em Castro, certamente já percorreu as largas avenidas da Vila Rio Branco. Mas você sabia que, muito antes do vaivém do Fórum e do comércio pulsante, esse chão foi desenhado por uma das figuras mais polêmicas da história do Brasil?
A Vila Rio Branco não é apenas o maior bairro da “Cidade-Mãe”; ela nasceu para ser um monumento à modernidade técnica. O problema? O futuro que foi desenhado na década de 30 acabou “pegando poeira” nas gavetas do poder público por quase meio século.
📐 O Traço de um Personagem Histórico
Enquanto muitos bairros surgem “no susto”, de forma orgânica e desordenada, a Rio Branco nasceu na ponta do lápis. Na década de 1930, o Major Dilermando de Assis — engenheiro militar marcado nacionalmente pelo trágico episódio envolvendo o escritor Euclides da Cunha — deixou sua marca técnica em Castro.
Ele não trouxe apenas teodolitos; trouxe uma obsessão pela modernidade técnica. Enquanto a política local da época ainda se perdia em favores e expansões improvisadas, Dilermando projetou o bairro sob os pilares do saneamento e da fluidez urbana. Ele não apenas mapeou o terreno; ele anteviu a Castro do século XXI.
💧 O “Projeto Engavetado”: Saneamento e Higiene
Naquela época, “sanear” era a palavra de ordem. Com sua visão militar, Dilermando desenhou o bairro prevendo o escoamento de águas e uma organização sanitária rigorosa para evitar doenças. O projeto original não era apenas estético; era uma questão de saúde pública, a ser seguido em todos os novos bairros.
Infelizmente, o que vimos nas gestões que se seguiram foi o “engavetamento” dessa precisão. O bairro cresceu, mas o investimento em infraestrutura subterrânea não acompanhou o ritmo das casas. O que era para ser um modelo de engenharia higienista sofreu, por décadas, com o descaso de uma expansão que ignorou o rigor que o Major exigia.
🏇 De Pouso de Tropeiros a Hub de Negócios
Antes da pavimentação, o cenário era de resistência. A região herdou a alma tropeira, servindo de pastagem e passagem para as tropas que cruzavam o Rio Iapó. A grande virada só veio entre as décadas de 80 e 90, quando a Rio Branco deixou de ser a “periferia de madeira” para se tornar um centro administrativo de luxo.
Hoje, o bairro é um ecossistema próprio:
Polo Judiciário: Abriga o Fórum Estadual e diversos órgãos municipais.
Conectividade: É o eixo principal para quem se desloca rumo à Colônia Castrolanda.
Comércio Vivo: De agências do Sicredi a grandes redes de farmácias e materiais de construção, o bairro tem independência total do Centro.
🏢 O Novo Horizonte (e a Retomada Tardia)
Se você olhar para cima agora, verá a Vila Rio Branco mudando de novo. Com o novo plano de zoneamento (ZR-3), a verticalização é a nova regra. Prédios modernos começam a dividir o céu com o traçado simétrico deixado por Dilermando.
Mas fica a pergunta no ar: quanto tempo Castro perdeu? Se tivéssemos seguido à risca o rigor técnico da década de 30, a Rio Branco não seria apenas o maior bairro da cidade, mas sim uma referência nacional em urbanismo planejado.
A Vila Rio Branco que temos hoje é um triunfo da comunidade e da sua importância estratégica, mas é também um lembrete de que a boa engenharia, quando ignorada pela conveniência política, custa caro ao tempo e ao bolso do cidadão.
”Você sabia que a Vila Rio Branco foi projetada por um Major polêmico para ser o bairro mais moderno do Paraná? Descubra por que o projeto de Dilermando de Assis ficou décadas engavetado e como isso afeta a sua vida hoje!
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