O Tombo do Gigante e a Lição que Fica Do PowerPoint ao Tobogã para a Rua

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A notícia da queda de Carlos Jardim da chefia de redação da GloboNews não é apenas mais uma dança das cadeiras no eixo Rio-Brasília. É um atestado de que, no jornalismo moderno, a arrogância técnica é o caminho mais curto para o abismo. Após 13 anos no topo e quatro décadas de estrada, o executivo descobriu da pior forma que um “PowerPoint” mal-intencionado ou, no mínimo, incompetente, pode implodir uma carreira que parecia blindada.
​O episódio do Banco Master, levado ao ar no Estúdio i, foi um escárnio com o telespectador. Tentar associar o governo federal a investigações sem o lastro da prova documental não é jornalismo de opinião; é panfletarismo disfarçado de infográfico. Quando uma emissora do porte da Globo precisa enviar seus âncoras ao “sacrifício” para pedir desculpas ao vivo, fica claro que o erro não foi um deslize de estagiário, mas uma falha sistêmica de quem deveria filtrar a verdade e preferiu abraçar a narrativa conveniente.
​Mas a crise de Jardim não se limitou às telas. O cheiro de mofo que exalava da redação, com denúncias de assédio moral e um clima interno insustentável, prova que o autoritarismo de gabinete já não encontra solo fértil na era da transparência. Gestores que confundem liderança com tirania acabam isolados, e o Compliance da emissora, antes tarde do que nunca, parece ter entendido que o custo de manter um “coronel” no comando era alto demais para a imagem da casa.
​Agora, assume Denise Lacerda. Paranaense, técnica, forjada no fogo de Brasília. O desafio dela é imenso: não se trata apenas de organizar uma grade de horários, mas de resgatar a dignidade do fato. A saída de Jardim para o teatro e o cinema é sintomática; talvez ele já estivesse vivendo em um roteiro de ficção há muito tempo.
​Para nós, do Canal Língua Solta, que operamos na ponta, cobrando transparência na gestão pública e fiscalizando cada centavo do erário em nossa região, o caso GloboNews serve de alerta. Se os gigantes caem por falta de compromisso com a realidade, quem somos nós para baixar a guarda? A credibilidade não é um título vitalício; é um aluguel que se paga todos os dias com a moeda da verdade.
​O jornalismo não aceita desaforo. E o público, esse juiz implacável de quem segura o controle remoto ou clica no portal, não aceita mais ser enganado por gráficos coloridos e informações vazias. Que venha a nova gestão, mas que venha, sobretudo, o respeito pelo ofício de informar.
​Mayka Wogue Canal Língua Solta
Compromisso com o fato, doa a quem doer.

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