
Exatamente há dois anos, estreava em Castro o filme Romãna: Amor e Fé. Produzido pelo Canal Língua Solta, o longa-metragem foi viabilizado pelo Ministério da Cultura, por meio da Lei Paulo Gustavo.
O Desafio do Formato: De Curta a Longa-Metragem
A princípio, o projeto deveria ser um curta-metragem de 30 minutos. No entanto, a escritora e diretora Mayka Wogue bateu o pé: a história merecia um longa.
O problema: Os recursos eram pífios para uma grande produção.
A decisão: Após uma reunião franca com toda a equipe técnica e elenco, o martelo foi batido. Mesmo com o orçamento escasso, Romãna teria sua história imortalizada em um longa-metragem.
O processo: Foram 6 meses de trabalho extenuantes e de extrema dedicação.

A Energia dos Bastidores: Alegria e União
Apesar das longas e cansativas horas de caracterização e gravação, o set de filmagem era movido a pura energia positiva. O cansaço físico dava lugar a uma atmosfera de constante alegria e descontração, onde o elenco e a equipe técnica se tornaram uma grande família. Entre uma cena e outra, o ambiente era preenchido por muitas risadas, cantorias e momentos de leveza que aliviavam a pressão do cronograma. A música e a ótima comida servida nos intervalos garantiam que o ânimo de todos continuasse lá no alto, transformando o trabalho duro em uma grande celebração à arte.
Uma das exigências intransigentes da diretora era valorizar a terra: toda a mão de obra utilizada deveria ser de Castro. O elenco seguiu a mesma regra, sendo majoritariamente castrense, com o reforço de apenas três atores vindos da vizinha Ponta Grossa.

A Promessa e a Reforma da Capela
A história da santa popular castrense foi tomando forma e, no meio do processo de criação, a equipe técnica visitou a capela tumular de Romãna.
”Foi um dos momentos mais emocionantes de minha vida. Titia Zélia havia sugerido em 2020 que o Canal Língua Solta fizesse um programa sobre a capela. Quando conheci a história, recusei. Era uma história muito bonita para virar uma pequena reportagem, merecia um filme. Zélia, infelizmente, não pôde ver o filme, mas cumpri minha promessa.”
— Mayka Wogue, diretora.
Ao notar que o tempo e a falta de manutenção haviam deixado a capela severamente danificada, a equipe inicialmente pensou em apenas pintar o local como gesto de agradecimento. Porém, decidiram assumir um risco ainda maior: reformar a capela inteira. Como a verba federal não cobria sequer os custos do filme, o Canal Língua Solta e a Fundação Titia Zélia assumiram os custos do próprio bolso. A Capela Nhá Romãna foi oficialmente reinaugurada, totalmente revitalizada, poucos dias antes da estreia do filme.

Soluções “Milagrosas” e a Estreia de Gala
Produções independentes vivem de superação, e com este filme não foi diferente. O maior gargalo era a trilha sonora: Mayka queria a ária Va, Pensiero, de Verdi, mas não tinha orçamento para uma orquestra ou coral.
A solução veio de forma inesperada. Ao encontrar um vídeo da Orquestra Filarmônica Cesumar executando a peça, a diretora arriscou um e-mail sem muitas esperanças. Para sua surpresa, o maestro não só abraçou o projeto como cedeu a gravação oficial e liberou integralmente os direitos autorais de forma gratuita.
O fechamento desse ciclo não poderia ser mais emblemático. Mayka Wogue escolheu como palco da estreia o Salão Nobre do Colégio Sepan — o mesmíssimo lugar onde, 34 anos antes, ela havia estreado sua primeira peça teatral profissional, em uma peça com temática lgbtqapn+, retornava triunfante como mulher trans e diretora.
Romãna: Amor e Fé teve uma noite de gala com sucesso absoluto e, hoje, dois anos depois, continua a emocionar o público castrense e o mundo, provando que a fé e a arte, quando caminham juntas, movem montanhas.









