
Se você achava que Castro (PR) já tinha atingido o topo sendo a maior bacia leiteira do Brasil, prepare-se. A cidade agora quer exportar outra coisa além de leite e grãos: conhecimento de ponta. Por Mayka Wogue / canallinguasolta / Imagens Daniel Calvo e IA
Uma articulação gigante entre a Prefeitura, a Cooperativa Castrolanda, grandes universidades e a iniciativa privada quer transformar o município no maior polo de educação agropecuária do país. O plano é audacioso: criar um verdadeiro “hub educacional” dentro do Parque Tecnológico Agroleite.
O que é esse “Hub Educacional”?
A ideia central aqui é a verticalização do ensino. Na prática, isso significa que um estudante poderá entrar no ensino médio técnico e sair de lá com o título de doutor, tudo sem precisar pegar a estrada ou mudar de cidade.
”Queremos aproximar quem produz conhecimento de quem produz alimento e o coloca na mesa do consumidor.”
— Gustavo Vigano, gerente do Parque Tecnológico Agroleite.

Quem está no jogo?
A reunião que selou a criação do grupo de trabalho contou com um time de peso:
Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG)
Universidade Federal do Paraná (UFPR)
Instituto Cristão Mackenzie
Fundação ABC e CTP (Centro de Treinamento de Pecuaristas)
Secretarias de Estado (Educação, Agricultura e Inovação)
Castro em Números: O Gigante do Campo
Não é por acaso que esse projeto está nascendo em Castro. A cidade tem o agro correndo nas veias e os números impressionam:
3ª posição no Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) do Paraná.
R$ 3,62 bilhões movimentados pelo setor na região.
1,5 milhão de litros de leite produzidos por dia.
O que já está saindo do papel?
Esqueça as promessas de longo prazo que nunca acontecem. O hub de Castro já tem projetos com o pé no acelerador:
Medicina Veterinária da UEPG: Já teve a liberação de R$ 20 milhões para a compra de equipamentos. O vestibular deve acontecer ainda este ano, com aulas começando em 2027.
Centro de Excelência em Bovinocultura de Leite (Senar): Um complexo de R$ 40 milhões focado em formação profissional e assistência técnica que já está em fase de licitação.
Mackenzie Agro: O tradicional Instituto Mackenzie vai lançar cursos de pós-graduação e MBA voltados ao setor de negócios e biotecnologia.
Pós-Graduação da UFPR: Programas de mestrado e doutorado focados em inovação e sucessão familiar no campo.
Colégio Agrícola Olegário Macedo: A instituição, que já é considerada o colégio agrícola mais lucrativo do Brasil (faturamento de R$ 2,3 milhões/ano), será peça-chave na base técnica do projeto. (CONTINUA APÓS PUBLICIDADE)

Por que isso muda o jogo?
Além de segurar os talentos locais na região, o projeto visa resolver um dos maiores gargalos do agro moderno: a sucessão familiar e a tecnologia aplicada. Trazer mestres e doutores para pesquisar diretamente no ecossistema produtivo de Castro promete acelerar a inovação no campo e criar soluções reais para o produtor — do pequeno ao grande.
Castro já provou que sabe produzir comida. Agora, o desafio é mostrar que o campo também é o melhor lugar do Brasil para estudar.


