Saluba Nanã, Salve Sant’Ana: Comunidade de Castro celebra a fé com festividades no Parque Lacustre e na Paróquia Sant’Ana

Publicado em Por Mayka
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Por Mayka Wogue / canallinguasolta / Imagens Eiboo Parnanguara A Primeira Festa em Louvor a Nanã Buroquê no Parque Lacustre destacou-se neste domingo pela celebração das tradições afro-brasileiras e pela integração comunitária nos Campos Gerais. Organizada pelo Canal Língua Solta e pela Organização Titia Zélia, a festividade reuniu terreiros e tendas de Umbanda dos municípios de Castro, Carambeí e São João do Triunfo.
​A cena do grande grupo reunido, com suas tradicionais vestes brancas e trajes ritualísticos, despertou a curiosidade e o encanto dos frequentadores que passavam pelo parque. Atraídos pelo impacto visual e pelo som dos pontos ritmados por palmas e atabaques, muitos se aproximaram para conhecer de perto a celebração e receber o seu axé. Como parte do acolhimento e dos rituais, todos os alimentos consagrados a Nanã — como canjica branca, arroz doce, paçoca de amendoim e sequilhos — foram oferecidos gratuitos a todos os presentes.

O evento também reservou um momento de profunda emoção com uma homenagem especial ao Pai de Santo Mozart Cartes Junior, que completa amanhã 37 anos de dedicação à Umbanda, celebrando sua trajetória e liderança espiritual na região.
​Compromisso com a diversidade e o turismo religioso amplo
​Durante a celebração, a idealizadora do evento, Mayka Wogue, renovou o compromisso de promover novas iniciativas similares na cidade, reforçando a urgência do respeito aos cultos, à cultura e às religiões de matriz africana.
​Em sua fala, Mayka trouxe uma reflexão direta sobre o desenvolvimento do município, destacando que se Castro realmente almeja se consolidar como um polo de turismo religioso, a gestão e a promoção da área devem abranger todas as manifestações de fé, e não se restringir apenas ao catolicismo e às correntes pentecostais, como tradicionalmente ocorre.

Um dia de fé, procissão e sincretismo religioso
​A celebração no Parque Lacustre coincide com um dia de intensa movimentação religiosa em toda a cidade. Durante todo o dia, a Paróquia Nossa Senhora Sant’Ana promoveu suas festividades tradicionais em honra à padroeira, marcadas por momentos de devoção como a chegada da imagem de Sant’Ana em uma imponente procissão de barcos.
​Essa concomitância de celebrações evidencia o marcante sincretismo religioso presente na cultura brasileira. Na tradição popular e nas religiões de matriz africana, como a Umbanda, Mãe Nanã Buroquê é sincretizada com Nossa Senhora Sant’Ana (mãe de Maria e avó de Jesus), compartilhando a mesma data festiva de 26 de julho. Ambas representam a figura da grande matriarca, da avó acolhedora, da sabedoria dos ancestrais e do colo protetor.
​Historicamente, o sincretismo surgiu no Brasil colonial como uma forma de resistência cultural e preservação da fé. Impedidos pelos colonizadores e senhores de engenho de cultuar abertamente seus Orixás, os negros escravizados associaram cada divindade africana ao santo católico que possuía características e domínios semelhantes. Assim, ao rezarem diante de uma imagem de Sant’Ana, mantinham viva a devoção ancestral a Nanã.
​A realização simultânea dos eventos em Castro reafirma a força das manifestações culturais e religiosas nos espaços públicos, promovendo a união, o respeito à diversidade e a preservação das memórias que formam a identidade da região.
O canallinguasolta.com deseja uma boa noite a todos, amém para quem é do amém, axé para quem é do axé, salve Santana, Saluba Nanã.