SANTUÁRIO DE DEEPFAKES E TENSÃO POLÍTICA

Publicado em Por Mayka
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Defesa de Bolsonaro atira no próprio pé? Ao negar vídeo de IA de Flávio, advocacia expõe pré-candidato a risco eleitoral grave Por Mayka Wogue / canallinguasolta.com
​Em uma reviravolta jurídica que pegou os bastidores de Brasília de surpresa, a defesa de Jair Bolsonaro entregou uma petição ao Supremo Tribunal Federal (STF) com um recado amargo: o ex-presidente não autorizou, não aprovou e sequer sabia do vídeo gerado por inteligência artificial exibido com sua voz e imagem na convenção do Partido Liberal (PL).
​A intenção dos advogados parecia simples: proteger o ex-presidente de eventual acusação de descumprir medidas cautelares e ordens de restrição. O problema? Ao lavar as mãos no STF, a defesa acabou jogando uma bomba-relógio diretamente no colo do filho, o senador Flávio Bolsonaro, pondo em risco jurídico e formal a sua pré-candidatura.

O “avatar” da discórdia
​Durante o evento do partido, a militância foi surpreendida por um holograma hiper-realista: um avatar sintético de Jair Bolsonaro que discursava em apoio irrestrito à pré-candidatura de Flávio à Presidência da República.
​A peça foi desenhada para emocionar a base e passar a ideia de alinhamento absoluto. Mas o tiro saiu pela culatra.
​Para justificar ao ministro Alexandre de Moraes que o ex-presidente não descumpriu proibições de contato, os advogados foram taxativos: como Flávio está proibido de visitar o pai por decisão judicial, não houve alinhamento, autorização ou ciência.
​O choque de realidade: Se o próprio pai nega ter autorizado o uso de sua imagem e voz geradas por máquina, a produção do vídeo passa de “homenagem emocionante” para “manipulação sintética não consentida”.
​O cerco do TSE: Por que isso coloca a chapa em risco?
​A resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o uso de inteligência artificial em anos eleitorais é uma das mais rígidas do mundo. Ela proíbe expressamente o uso de deepfakes e avatares criados por IA para simular a fala de pessoas vivas em peças de propaganda política ou eventos oficiais de partido.
​Com a desautorização formal protocolada no STF, a situação de Flávio Bolsonaro se complica em três frentes:
​Ação por Uso de Material Ilícito:
Partidos de oposição já acionaram a Justiça Eleitoral pedindo a apuração de irregularidade grave na convenção partidária.
Propaganda Irregular e Desobediência: Sem o aval do retratado, o vídeo perde qualquer verniz de “mensagem institucional” e passa a ser classificado como uso indevido de meio de comunicação e criação de estado mental artificial no eleitor.
​Risco ao Registro de Campanha: Embora a cassação ou indeferimento imediato seja a medida extrema, a acumulação de representações por descumprimento das regras de IA pode render multas pesadas, perda de tempo de rádio/TV e desgastes capazes de comprometer a viabilidade da chapa antes mesmo da homologação final. Para Flavio resta torcer para Marques e Mendonça que tomavam tubaina com Jair, fecharem os olhos e passar o pano ara o novo crime.
​Mídia, tecnologia e a nova fronteira jurídica
​O caso acende o sinal vermelho para todas as siglas em 2026. A tentativa de usar a tecnologia para burlar proibições de contato ou “trazer para o palco” lideranças impedidas de discursar esbarrou no rigor do tribunal e no pragmatismo da própria defesa do ex-presidente.
​No fim das contas, a manobra que visava blindar o pai abriu a guarda do filho. Resta saber se a pré-candidatura do PL conseguirá estancar o sangramento jurídico no TSE ou se o “avatar” de IA será a primeira grande baixa da corrida presidencial.
​Opine no Canal Língua Solta: Você acha que o uso de inteligência artificial em convenções partidárias deve ser banido de vez ou é apenas uma nova ferramenta de marketing político? Deixe seu comentário!