
A corrida presidencial para as Eleições de 2026 começou a ganhar contornos definitivos. Até o momento, 11 partidos já oficializaram seus candidatos ao Palácio do Planalto em convenções partidárias, a grande maioria de partidos nanicos, e candidaturas laranjas. Por Mayka Wogue / canallinguasolta.com
Embora a escolha nas convenções marque a definição interna dos partidos, as candidaturas só se tornam oficiais após o registro e a homologação pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os partidos têm até quarta-feira (5) para realizar os eventos e até 15 de agosto para registrar as chapas na Justiça Eleitoral.
Quem são os 11 candidatos oficializados?
A lista traz desde lideranças consolidadas do cenário político nacional até novas figuras e nomes históricos de partidos ideológicos:
Luiz Inácio Lula da Silva (PT): O atual presidente da República concorre à reeleição. A chapa mantém a aliança com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
Flávio Bolsonaro (PL): Senador pelo Rio de Janeiro e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, representa a principal força de oposição pelo Partido Liberal.
Ronaldo Caiado (PSD): Ex-governador de Goiás, teve sua candidatura oficializada com o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, indicado como vice.
Romeu Zema (Novo): Após dois mandatos no governo de Minas Gerais, Zema foi o escolhido do Partido Novo para a disputa presidencial.
Renan Santos (Missão): Um dos fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL) e presidente do partido Missão, estreia em disputas por cargos eletivos.
Hertz Dias (PSTU): Professor, rapper e ativista social, concorre pelo PSTU ao lado de Vanessa Portugal como vice.
Samara Martins (UP): Cirurgiã-dentista do SUS, encabeça uma chapa 100% feminina pela Unidade Popular, com a sindicalista Raquel Brício na vice.
Leonardo Avalanche (PRTB): Presidente nacional da legenda, o analista de sistemas e bacharel em Direito disputa o Planalto pela primeira vez.
Edmilson Costa (PCB): Economista e secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro, disputará o pleito ao lado de Cleusa Santos.
Rui Costa Pimenta (PCO): Presidente do Partido da Causa Operária, o jornalista volta à disputa presidencial, cargo que já pleiteou em 2002, 2010 e 2014.
Wilson Grassi Júnior (Democrata): Veterinário e pautado pela causa animal, foi indicado pelo partido Democrata.
Pulverização de candidaturas, alianças estratégicas e “linhas auxiliares”
Apesar do número elevado de nomes aprovados em convenções, analistas políticos reforçam que a extensão dessa lista não se traduz, necessariamente, em uma disputa competitiva real com 11 polos de voto.
Funil de alianças e composição de chapas
Historicamente, o afunilamento eleitoral reduz de forma expressiva o quadro final. A grande maioria das siglas de menor porte ou de centro lança pré-candidaturas durante o período de convenções para aumentar o valor do seu “passe” nas negociações políticas. À medida que o prazo de registro (15 de agosto) se aproxima, muitos desses nomes retiram suas propostas e declaram apoio formais a candidatos consolidados, em troca de espaço em coligações, divisão do tempo de rádio e TV ou fatias do Fundo Eleitoral.

Desses 11 pré candidatos, apenas 4 configuram força de disputa, Luiz Inacio Lula da Silva, Flavio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema. Até o momento, o cenário para a Presidência em 2026 apresenta as seguintes tendências de alianças e candidaturas:
Governo: O presidente Luiz Inácio Lula da Silva é pré-candidato à reeleição e busca consolidar o apoio dos partidos que compõem sua base aliada, como PT, PCdoB, PV, PSB, PDT, Solidariedade, Avante e partes do MDB e PSD. Alguns desses partidos podem abrir mão de candidaturas próprias para apoiar Lula desde o primeiro turno.
Oposição: O campo de oposição, fortalecido pelo PL, deve lançar um nome apoiado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador Flávio Bolsonaro é um dos nomes cotados, além de governadores como Tarcísio de Freitas, Ratinho Júnior, Ronaldo Caiado e Romeu Zema.
Outras candidaturas: Partidos menores ou com posições ideológicas específicas, como PSTU, PCB, PCO e UP, costumam manter candidaturas próprias para divulgar seus programas, mesmo com chances reduzidas de vitória.
A tática do “candidato laranja” e a “linha auxiliar”
Outro fenômeno presente em pleitos anteriores — e que pode se repetir em 2026 — é a manutenção de candidaturas sem chances reais de vitória com finalidades puramente táticas. Denominadas no meio político como “linhas auxiliares” ou “candidaturas laranjas”, essas figuras entram na disputa não para buscar votos, mas para cumprir papéis operacionais nos debates na TV e no rádio.
Um exemplo marcante ocorreu nas Eleições de 2022 com o Padre Kelmon (PTB). Ao longo da campanha e nos debates transmitidos em rede nacional, o candidato utilizou seu tempo de fala para atacar adversários da oposição e blindar a candidatura do então presidente Jair Bolsonaro, atuando abertamente como uma linha auxiliar de palanque.
A estratégia permite que os blocos principais multipliquem suas perguntas, contornem restrições de tempo impostas pelas regras dos debates e façam ataques indiretos que a chapa principal prefere evitar.
O cenário ainda pode mudar?
Sim. A lista de postulantes ao Planalto ainda pode sofrer movimentações até os prazos finais da Justiça Eleitoral:
Novos nomes: Convenções marcadas até o prazo final do dia 5 de agosto podem incluir novos candidatos, como o escritor Augusto Cury (Avante) e o ex-deputado Cabo Daciolo (Mobiliza).
Desistências e rearranjos: Movimentações de bastidor já começaram. Um exemplo é Aldo Rebelo (DC), que abriu mão de sua pré-candidatura para assumir a coordenação política da campanha de Ronaldo Caiado.
Próximos Passos do Calendário Eleitoral
Até 5 de agosto: Prazo final para a realização de convenções partidárias.
Até 15 de agosto (às 19h): Limite para o registro formal das candidaturas no TSE.
16 de agosto: Início oficial da propaganda eleitoral.
4 de outubro: Realização do 1º Turno das eleições.
25 de outubro: Eventual 2º Turno entre os dois candidatos mais votados.


