
A Covardia Institucional do Congresso que Tranca a Pauta para Garantir a Reeleição
Por Mayka Wogue / canallinguasolta.com
A volta do recesso em Brasília serviu apenas para confirmar o que qualquer cidadão com dois neurônios funcionais já sabia: o Congresso Nacional não trabalha para o país; trabalha para a manutenção dos próprios privilégios. Com a cara de pau que lhes é peculiar, os ilandados da Câmara e do Senado decidiram empurrar para depois de outubro pautas cruciais como o fim da escala 6×1 e a Lei da Misoginia. A desculpa oficial é a busca por “maturidade no debate”. A tradução para o português claro é uma só: pavor de perder voto.
Trata-se de uma manobra vil, gestada nos gabinetes acarpetados do Colégio de Líderes, cujo único propósito é blindar Vossas Excelências do julgamento direto do eleitorado. Em ano eleitoral, a coragem dos nossos parlamentares evapora na mesma proporção em que o Fundo Partidário engorda.
O Canal Língua Solta já havia alertado sobre esse movimento. Quem acompanha nossa cobertura editorial sabe que antecipamos exatamente esse roteiro: o uso do calendário institucional como biombo para esconder a falta de compromisso com as demandas populares. O tempo infelizmente nos deu razão, e a profecia se cumpriu no plenário.
#CONGRESSO INIMIGO DO POVO, O Pacto dos Covardes: A Blindagem do CPF na Urna
Trazer a votação da jornada 6×1 ou da punição à misoginia para o Plenário agora significaria obrigar o deputado a sair de cima do muro. Significaria registrar no painel eletrônico se ele está do lado do trabalhador esgotado ou do patrão financiador de campanha; se está do lado da proteção à mulher ou do eleitorado reacionário.
Como a classe política odeia assumir riscos, inventou-se o golpe da pauta congelada:
O crime perfeito: Ao tirar o projeto da ordem do dia, não há voto impresso, não há painel gravado e não há “fotografia da vergonha”, e os bandidos continuam fazendo “videozinho pra internet em fundo preto”.
A culpa de ninguém: O ônus do adiantamento é jogado nas costas de uma instituição abstrata chamada “Congresso”, enquanto o CPF de cada deputado segue bonitinho, limpo e pronto para pedir voto nas feiras livres e comícios de interior.
É o estelionato eleitoral em sua forma mais pura. Eles recusam-se a trabalhar onde foram pagos para estar, para que possam mentir com mais conforto nos palanques das suas bases e vídeos de lacração na internet.
Mofando na Gaveta para Escapar da #congressoinimigodopovo
O terror dos gabinetes em Brasília hoje atende pelo nome de engajamento digital. Bastou a hashtag #congressoinimigodopovo e as cobranças direcionadas começarem a ganhar corpo nas redes para que as lideranças partidárias entrassem em pânico. Como nosso portal vinha avisando, a pressão popular digital era o único fator capaz de expor o abismo entre o discurso de palanque e a prática legislativa.
O congressista moderno suporta qualquer coisa: acusações de corrupção, processos no STF, ineficiência crônica. Mas ele não suporta o desgaste de imagem em tempo real a um mês da eleição. Um corte de vídeo de 15 segundos mostrando o voto do parlamentar contra o descanso do trabalhador é capaz de derreter milhões investidos em marketing eleitoral.
Adiar a pauta para novembro é uma tentativa patética de esvaziar a pressão. É a aposta arrogante da classe política na amnésia coletiva do povo. Eles contam com a sua alienação. Acreditam que, passada a festa das urnas, o brasileiro estará anestesiado demais para cobrar o que foi engavetado.
O Teatro do Absurdo do Período Pós-Outubro
A promessa de que essas pautas serão votadas com “isenção” após o segundo turno é uma piada de péssimo gosto. O que acontecerá em novembro é um balcão de negócios ainda mais sórdido:
Os reeleitos votarão com a arrogância de quem tem quatro anos de blindagem pela frente, cagando para a opinião pública.
Os derrotados farão da votação uma vendeta pessoal ou um saldão de favores de última hora, já que não devem mais satisfação a eleitor nenhum.
A pauta será triturada, desidratada e picotada no escuro das comissões até virar um texto inútil que não atende nem ao trabalhador nem às mulheres.
Na Urna, a Resposta
Enquanto a população se desdobra em jornadas exaustivas de seis dias por semana sob o peso da inflação e da violência, os Excelentíssimos Senhores Deputados e Senadores trancaram o Plenário para fazer campanha com o seu dinheiro.
O Canal Língua Solta deixa o recado direto, sem meias palavras e sem maquiagem, como sempre fez ao antecipar os passos dessa manobra: parlamentar que esconde o voto antes da eleição não merece o voto na eleição. Se eles têm medo do painel eletrônico, que tenham pavor da urna. Quem não tem coragem de votar pelo povo antes de outubro, deve ser varrido da vida pública em outubro.




