A Memória de Castro Não Tem Partido: Pela Preservação do União e Progresso e Contra o Apagamento do Nosso Centro Histórico

Publicado em Por Mayka
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Por Mayka Wogue / canallinguasolta.com
​Caminhar pelo Centro Histórico de Castro tem se tornado um exercício doloroso de testemunhar o apagamento da nossa própria identidade. A Rua Dr. Jorge Xavier da Silva, artéria fundamental para a formação e para o charme da nossa cidade, viu a maioria dos seus casarões centenários virar poeira sob a lógica da especulação. Em seus lugares, ergueram-se blocos comerciais padronizados — grotescas caixas de vidro e concreto, desprovidas de qualquer beleza estética, valor arquitetônico ou memória afetiva.
​Como se a destruição do patrimônio edificado não bastasse, presenciamos frequentemente outro ato de incultura urbana: a aplicação de camadas de asfalto diretamente sobre os paralelepípedos e pedras poliédricas do perímetro histórico. Cobrir o calçamento original com uma manta negra de betume não é obra de modernização; é vandalismo patrimonial. Os paralelepípedos guardam a história das antigas rotas tropeiras, reduzem a velocidade do trânsito, permitem a drenagem de águas pluviais e contêm o calor urbano. Escondê-los sob o asfalto é queimar páginas da história castrense sob o falso pretexto do progresso.
​É exatamente por isso que a aquisição e restauração do prédio do antigo Clube União e Progresso pela Prefeitura Municipal de Castro ganham contornos de urgência e resistência cultural. Não se trata de um capricho nostálgico ou de um gasto a fundo perdido, mas sim de um investimento público estratégico com retorno inestimável. A restauração do imóvel interrompe o ciclo de degradação do Centro, atrai o turismo cultural, movimenta o comércio e devolve a dignidade à paisagem urbana. (CONTINUA APÓS PUBLICIDADE)

A proposta de readequação funcional do edifício é irretocável:
​No Pavimento Térreo: A instalação da Biblioteca Pública Municipal, garantindo acessibilidade universal, ambiente de pesquisa, acervo histórico, inclusão digital e espaços dedicados ao incentivo à leitura infantil.
​No Piso Superior: O resgate do antigo salão social para a criação de um Auditório e Cine-Teatro, dotado de infraestrutura técnica para receber seminários, palestras, exibições audiovisuais e espetáculos artísticos locais.
​É preciso deixar registrado com clareza: a preservação do patrimônio histórico é um dever constitucional e moral do governo e de cada cidadão. A memória material de uma comunidade não pertence a uma gestão, a um prefeito ou a um grupo político específico. Ela pertence ao povo de Castro e às futuras gerações.
​Projetos de salvaguarda cultural precisam estar blindados de picuinhas partidárias e de divergências entre bandeirolas políticas. Governos passam, mandatos terminam, disputas eleitorais se esvaziam, mas a história da cidade permanece. Tratar o patrimônio histórico como moeda de troca ou campo de batalha ideológica é um desserviço à cidadania. Castro merece maturidade política, respeito às suas raízes e a coragem de construir o futuro sem soterrar o próprio passado.