
Por Mayka Wogue / localhost/blog_default/wordpress/ A ganância e a certeza da impunidade continuam ditando as regras no interior do Paraná. Na manhã desta segunda-feira, 22 de junho de 2026, o Bairro Santa Rita, no Distrito de Abapã, virou cenário de um verdadeiro massacre ambiental. Enquanto o proprietário da terra — cuja identidade convenientemente “não foi identificada” no primeiro momento — se escondia atrás do conforto do anonimato, máquinas pesadas operavam a todo vapor para apagar da história árvores nativas protegidas por lei.
O flagrante foi feito pela equipe da Guarda Rural da Guarda Municipal de Castro, após uma denúncia anônima via COGM. O que os agentes encontraram ao chegar na propriedade ultrapassa o limite do aceitável: uma operação criminosa estruturada para desmatar, processar e, literalmente, ocultar o crime. (CONTINUA APÓS PUBLICIDADE)


O tamanho da destruição: Uma Imbuia histórica no chão
No exato momento da abordagem, um dos operadores utilizava uma máquina para derrubar duas Araucárias. Uma vistoria pelo terreno revelou um cenário de devastação generalizada. Dezenas de pinheiros já haviam sido derrubados e estavam sendo beneficiados ali mesmo.
Para piorar, os criminosos não pouparam sequer uma Imbuia majestosa, uma árvore com impressionantes 2,60 metros de circunferência e mais de 23 metros de altura. Um patrimônio natural que levou séculos para crescer, reduzido a toras em poucas horas de destruição mecânica.
O Modus Operandi do Crime Segundo a denúncia que levou a Guarda ao local, os criminosos não estavam apenas cortando as árvores. Para não deixar rastros visíveis da fiscalização, várias árvores nativas e partes da mata ciliar foram derrubadas e enterradas com o uso de maquinário pesado. Um plano deliberado para sufocar a floresta e esconder as provas do crime ambiental.
Quem paga a conta? O elo mais fraco na delegacia e o patrão invisível
Como já virou costume nesse tipo de ocorrência, quem acabou no banco de trás da viatura foram os operadores. No local, foram identificados:
Um operador de máquina de uma empresa terceirizada que prestava serviços na área.
Um segundo funcionário, este da própria fazenda, encarregado de guinchar a madeira roubada da natureza.
O proprietário da fazenda, chefe da quadrilha? Não foi localizado. Sumiu, evaporou. Os trabalhadores foram conduzidos à Delegacia de Polícia Civil de Castro com o apoio da viatura VTR 12 para prestar esclarecimentos e responder pelas medidas cabíveis.
Opinião: Até quando o dinheiro vai soterrar as nossas leis?
O episódio em Abapã é o retrato cuspido de um Brasil que insiste em retroceder. O corte de mata ciliar — fundamental para a proteção dos nossos rios — somado à derrubada de espécies ameaçadas de extinção como a Araucária e a Imbuia, não é “limpeza de terreno”. É crime. É um atentado contra o futuro da região de Castro e de todo o ecossistema paranaense.
A tática de enterrar árvores mostra o nível de perversidade e a consciência que esses indivíduos têm da própria ilegalidade. Sabem que estão errados, sabem que é crime, mas calculam que o lucro da madeira ou a abertura de pasto compensa o risco. Isso nos lembra de certa ex-deputada federal de nossa cidade, que pertence ao grupo que aproveitou o desespero da pandemia para “passar a boiada”, cujo ÚNICO projeto de lei apresentado no congresso (felizmente derrubado) era reduzir a área do Parque Nacional dos Campos Gerais do Paraná.
O portal Canal Língua Solta exige respostas. A polícia e os órgãos ambientais (IAT/Ibama) precisam ir fundo. Quem é o dono dessa terra? Qual é o nome da empresa terceirizada que aceita esse tipo de serviço sujo? Punir apenas o operador da máquina, que muitas vezes cumpre ordens para garantir o sustento, é tapar o sol com a peneira. Queremos ver o mandante, o verdadeiro criminoso de colarinho branco, respondendo criminal e financeiramente por esse rastro de destruição.
A floresta não tem voz, mas nós temos. E não vamos calar.


