Descaso, Oportunismo, Politicagem e Memória Curta: O Jogo Político por Trás da Crise no Hospital Moriah

Publicado em Por Mayka
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Por Mayka Wogue / canallinguasolta.com A interdição temporária da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Moriah — instalado no prédio do Hospital Anna Fiorillo Menarim — não escancara apenas a incapacidade de gestão da concessionária privada. Ela expõe uma manobra ainda mais sórdida: a tentativa de opositores da atual administração municipal de usarem a crise para fazer politicagem, escondendo da população o fato incontestável de que foram eles próprios os responsáveis por desenhar e assinar esse contrato de concessão.
​Enquanto a atual gestão cumpre com rigor os repasses financeiros — que já superam a marca de R$ 19,7 milhões —, a oposição tenta reescrever a história e jogar a conta do caos sobre quem apenas está fiscalizando e exigindo o cumprimento da lei, lembrando a todos que esta que vos escreve, é oposição. O Alerta que Veio de Longe: A Posição do Canal Língua Solta desde 2022
​Esta tragédia anunciada não pega a todos de surpresa. O canal Língua Solta, desde o início das discussões em 2022, posicionou-se de forma firme e contrária à entrega do hospital público para as mãos do Instituto Moriah.
​Na época, o canal já alertava sobre os riscos de terceirizar um patrimônio tão valioso para uma gestão privada e religiosa sem garantias sólidas de eficiência. O tempo, infelizmente, deu razão a quem fiscalizou e denunciou desde o primeiro dia: o modelo implementado provou ser um desastre para os cofres públicos e para a saúde dos castrenses.
​Os Padrinhos do Contrato Agora Querem Lavar as Mãos
​É de uma hipocrisia estarrecedora ver figuras da oposição subirem em palanques virtuais e discursarem como “salvadores da pátria”. A memória da população de Castro não é curta: o modelo de concessão vigorante e a escolha do Instituto Moriah foram selados sob a chancela e assinatura desses mesmos opositores, opositores estes que se negam a cumprir com seu papel de fiscalizar.

Eles gestaram as regras do jogo. Elaboraram as cláusulas — inclusive as obrigações de manutenção do prédio — e entregaram o patrimônio público nas mãos da entidade, ignorando todos os alertas dados pelo Língua Solta e pela comunidade. Agora, quando a Vigilância Sanitária e a Secretaria de Estado da Saúde (SESA) constatam falhas graves na UTI decorrentes da falta de manutenção, esses políticos tentam se esquivar da responsabilidade histórica que carregam.
​A Desfaçatez da Cláusula Violada
​A Cláusula 7.1.2 do contrato de concessão, assinado na gestão desses hoje opositores, é categórica ao atribuir exclusivamente à gestora a obrigação sobre o imóvel:
​Cláusula 7.1.2 – EM RELAÇÃO AO IMÓVEL
a) Assegurar a integridade e a integração do bem imóvel concedido, mantido sob a responsabilidade da CONCESSIONÁRIA, providenciando manutenção preventiva e corretiva, sob pena de responsabilização pelos danos causados.
​Se o prédio do hospital chegou ao ponto de ter leitos de UTI interditados por falta de adequações técnicas e preventivas, a culpa é da concessionária que descumpriu o contrato e dos padrinhos políticos que amarraram a administração pública a esse contrato falho.
​”Vaquinha” e Oportunismo às Vésperas da Eleição
​Como se não bastasse a falta de zelo com a estrutura física, a crise ganhou contornos de circo político com a iniciativa do Instituto Moriah de promover “vaquinhas” e arrecadações populares para custear obras de infraestrutura.
​É uma dupla afronta ao cidadão castrense:
​Extorsão velada: Fazer o contribuinte — que já financia o hospital via impostos com repasses de quase R$ 20 milhões — pagar duas vezes por um serviço que a concessionária contratualmente devia prestar.
​Arma Eleitoral: Utilizar a indignação popular de forma orquestrada com a oposição às vésperas do período eleitoral, apelando à comoção pública para tentar provocar o desgaste político da atual fiscalização municipal.
​A interdição da UTI é uma medida estritamente técnica e de segurança sanitária adotada pelo Estado. Transformar risco à saúde em combustível para palanque eleitoral mostra o nível de irresponsabilidade daqueles que querem voltar ao poder, ou chegar ao poder a qualquer custo.
​Verdade e Responsabilização
​A população de Castro não pode ser feita de refém de uma gestão privada ineficiente nem de opositores oportunistas que fingem não ter relação com o contrato que eles mesmos assinaram em 2022.
​O caminho para solucionar a crise não passa por “vaquinhas” descabidas nem por discursos demagógicos de quem criou o problema. O caminho exige transparência, cobrança firme e responsabilização direta do Instituto Moriah pelas cláusulas descumpridas, garantindo que o dinheiro público seja respeitado e a saúde da população tratada com a gravidade que merece. Talvez agora o Ministério Público tome uma atitude e chancele a rescisão desse contrato espúrio, sem que a população tenha que arcar com uma multa milionária, para encher os bolsos de empresário supostamente religioso.