
Se você achava que a política nos Campos Gerais seria morna em 2026, prepare a pipoca. O tabuleiro eleitoral da região não foi apenas mexido; ele foi virado de cabeça para baixo. Com o aval definitivo da Justiça e uma constelação de pré-candidatos locais engatilhados, a disputa por uma cadeira na Câmara dos Deputados virou uma verdadeira guerra de titãs.
O estopim da nova dinâmica atende por um nome bem conhecido do rádio e da televisão: Jocelito Canto.
O “Leão” está solto (e 100% elegível)
Para quem apostava que Jocelito assistiria ao pleito de outubro de camarote, o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) jogou um balde de água fria nos adversários. Por unanimidade, os juízes reconheceram o óbvio jurídico: a restrição daquela condenação antiga, que barrou sua posse em 2022, expirou lá em 2017.
Com as novas regras de contagem de prazos da Lei Complementar nº 219/2025, a defesa de Jocelito garantiu o carimbo de “ficha limpa” definitivo.
O estrago que isso faz nos planos dos concorrentes é gigante. Em 2022, mesmo com o registro sob júdice, Jocelito arrastou mais de 74 mil votos nas urnas pelo PSDB. Agora, filiado ao Progressistas (PP) desde março — onde montou um verdadeiro “bunker familiar” ao lado das filhas, a deputada estadual Mabel Canto e a vereadora Joce Canto —, o comunicador entra no páreo sem nenhuma amarra jurídica.
O Caldeirão de Ponta Grossa
A entrada oficial de Jocelito Canto põe os três maiores tubarões eleitorais de Ponta Grossa no mesmo tanque. Ele vai disputar o voto do eleitorado local palmo a palmo com o também ex-prefeito Marcelo Rangel e o atual deputado federal Aliel Machado além de Marlon Alessandro. É o tipo de briga onde ninguém quer ceder um milímetro de calçada.
E como o cobertor de votos em Ponta Grossa é curto para inflar quatro candidaturas majoritárias desse porte, os olhos de todos eles se voltaram para as cidades vizinhas. É aí que a história fica ainda mais interessante.
Castro: O tabuleiro mais congestionado da região
Se em Ponta Grossa a briga é de foice, em Castro o cenário virou um engarrafamento de pré-candidatos de peso. A cidade e o eleitorado da região central dos Campos Gerais serão disputados por três frentes locais fortíssimas:
Moacyr Fadel: O homem do municipalismo, que aposta no recall de suas gestões e na capilaridade na região para carimbar o passaporte para Brasília.
Aline Sleutjes: Com forte penetração no agronegócio e uma base conservadora ideologicamente fiel, tenta retornar à Câmara Federal com o discurso de representatividade do setor produtivo.
Júlio Philbert: Corre por fora como a alternativa de renovação, tentando aglutinar frentes que buscam escapar da polarização tradicional.
A conta que não fecha (ou fecha?)
O grande enigma que tira o sono dos marqueteiros nos Campos Gerais é a matemática pura. Com tantas lideranças locais fortes — somadas aos famosos “candidatos forasteiros” que sobrevoam Castro e região de quatro em quatro anos atrás de dobradinhas com lideranças locais —, o voto corre o risco de pulverizar.
A região terá maturidade para concentrar seus votos e garantir uma bancada forte em Brasília, ou a vaidade política vai dividir o bolo a ponto de deixar os Campos Gerais sem representantes expressivos?
Uma coisa é certa: a campanha nem começou oficialmente, mas no Canal Língua Solta, o termômetro já bateu no vermelho. Quem tiver garrafa para vender, que comece a mostrar agora.
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