Itaipu e a Dívida Histórica: Entre a Reparação e a Papelada

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FINALMENTE SAINDO DO PAPEL E DO DISCURSO. A gente sempre fala de Itaipu como a gigante da energia, o orgulho do engenheiro brasileiro. Mas existe uma Itaipu que pouca gente discute: a que tem uma dívida histórica gigantesca com os povos indígenas. A pergunta que não quer calar é: o que está mudando de verdade, lá na prática, para as famílias Avá-Guarani da nossa região?
​Durante décadas, a construção da usina significou, para muitas dessas famílias, a perda absoluta de tudo. Terras submersas, cemitérios perdidos, o modo de vida ancestral interrompido. Era o projeto do “progresso” passando por cima de quem já estava aqui antes de todo mundo.
​Agora, em 2026, o discurso mudou. A conversa da vez é “reparação” e “sustentabilidade”. A Itaipu tem firmado convênios e colocado recursos para projetos de segurança alimentar e moradia. Mas, sendo bem direto: isso é apoio ou é o mínimo que a empresa deveria fazer pela história de desterritorialização que causou?
​O foco agora não é mais remover, é estruturar. Só que o grande nó da questão — e onde o canallinguasolta.com quer saber mais — é a autonomia.
​O que significa, na prática, a Itaipu sentar na mesa com as lideranças indígenas?
​A regularização fundiária é a chave. Não adianta ter projeto de horta se o povo não tem a garantia jurídica da terra que ocupa.
​A gente acompanha o desenrolar dessas políticas públicas. A parceria com o Ministério dos Povos Indígenas parece um caminho. Mas, como sempre, o papel aceita tudo. O nosso papel aqui é cobrar que esse “reassentamento” — ou essa “reconstituição”, como preferirem chamar — seja feito respeitando a cultura deles, e não tentando moldar o modo de vida indígena ao padrão de vida da cidade.
​Reparação histórica não se faz com uma canetada de convênio, se faz com respeito à soberania. Vamos continuar monitorando esses projetos para ver se o que está sendo assinado vai, de fato, melhorar a dignidade de quem vive na ponta da linha. Conhecendo o atual presidente da Itaipu Binacional, Enio Verri, nossos povos originários voltarão a ter a dignidade que merecem.
​E você, leitor? Acha que a Itaipu finalmente está corrigindo o passado ou isso é só uma nova fachada para o mesmo velho modelo? Deixe sua opinião aqui embaixo.

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