
Tem notícias que a gente não quer dar, mas que precisam ser ditas, não só pela tragédia em si, mas pelo peso humano que elas carregam. Uma daquelas histórias que fazem a gente parar tudo. Uma notícia que me doeu muito compartilhar, começava a escrever e as lágrimas teimavam em cair, foi difícil separar o emocional da profissional. Na madrugada deste sábado, uma tragédia na BR-376, em Mauá da Serra, mudou para sempre a vida de uma família muito conhecida aqui na nossa região.
Um capotamento violento, cinco jovens no carro, e o desfecho que ninguém gostaria de ver. O socorrista do SAMU, o Silvio – um profissional que já ajudou tanta gente nas estradas do Vale do Ivaí – foi chamado para atender uma ocorrência. Ao chegar lá, o chão se abriu: a vítima fatal era o seu próprio filho, Natan, de 24 anos.
Imaginem a cena. A dor de um pai que dedica a vida a salvar estranhos, se deparando com o limite da sua própria impotência diante de quem ele mais ama. O reconhecimento foi imediato, e o profissional, como qualquer ser humano, não teve condições de seguir. Teve que pedir ajuda via rádio. É uma cena que dói na alma de qualquer um.
O que se sabe até agora é que o impacto foi brutal. Todos foram ejetados do veículo. A suspeita da PRF? O uso do cinto de segurança, aquela regra básica que a gente insiste em ignorar. Além da morte do Natan, temos quatro jovens lutando pela vida nos hospitais de Apucarana e Arapongas. Um deles, inclusive, foi atingido por outros veículos na pista, numa situação de extrema gravidade.
[A gente aqui no Língua Solta sempre discute a segurança das nossas rodovias e a ineficiência do sistema. Mas hoje, a discussão é mais profunda. É sobre a fragilidade da vida. O Silvio, pai do Natan, também atua na concessionária da rodovia. Ele conhece cada curva, cada perigo daquele asfalto. E isso nos faz pensar: O que a gente tem feito para evitar que tragédias assim se repitam? Enquanto as autoridades discutem metas e números, famílias são destruídas em questão de segundos.
O corpo do Natan está sendo liberado pelo IML. A família, em Mauá da Serra, organiza as despedidas. Fica aqui o nosso registro, a nossa solidariedade total ao Silvio e aos familiares de todos os envolvidos. Que a justiça seja feita na recuperação dos que ficaram e que, de alguma forma, o luto dessa família encontre algum conforto. Um forte abraço a toda a família, Mayka Wogue
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