
Por Mayka Wogue / Canal Língua Solta
Ponta Grossa vira o epicentro de um retrato tragicômico da política brasileira neste final de semana. A cidade se prepara para receber duas figuras de espectros diametralmente opostos, em agendas que não poderiam ser mais emblemáticas da atual conjuntura nacional. É o suco da polarização, servido sem filtro e com uma generosa dose de ironia prática.
De um lado da cidade, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) desembarca com um destino indigesto: o Presídio Hildebrando de Souza. O parlamentar, conhecido pelo barulho nas redes sociais, deixa os holofotes do plenário para cumprir uma agenda, digamos, menos glamourosa. Vai visitar o ex-assessor presidencial e aliado — hoje ostentando o status de presidiário. A descida de Nikolas até as masmorras locais levanta o inevitável burburinho nos bastidores da política dos Campos Gerais.
A pergunta que ecoa nos corredores e que não quer calar é simples: a visita ao correligionário é mera cortesia partidária, um gesto de lealdade cega ou será que o jovem deputado veio apenas fazer um reconhecimento de terreno para o futuro? Em tempos de investigações batendo à porta de Brasília, há quem diga que prevenir e conhecer as instalações nunca é demais.
Enquanto uns visitam a cela, outros movimentam o prato
Do outro lado da moeda, o cenário muda de figura. O deputado federal Zeca Dirceu (PT) escolheu a região para celebrar seu aniversário, mas o cardápio da festa vai além do bolo e dos parabéns entre correligionários e amigos. Em vez de focar o final de semana na autocomiseração ou na blindagem de aliados encrencados com a Justiça, a agenda do parlamentar foi convertida em uma grande ação social de arrecadação de alimentos para famílias carentes.
O contraste é tão pedagógico que beira o desenho animado:
Na ala da direita barulhenta: A prioridade do final de semana é bater cartão na penitenciária, prestando solidariedade a quem deve contas à lei.
Na ala da esquerda governista: O pretexto festivo se transforma em mobilização para encher a despensa de quem tem fome.
A moral da história nos Campos Gerais
A passagem dos dois parlamentares por Ponta Grossa deixa uma lição clara sobre as reais prioridades de cada grupo político. Enquanto o bolsonarismo raiz gasta sola de sapato e capital político para higienizar a imagem de quem acabou atrás das grades, a oposição local ironiza o espetáculo deprimente.
Resta ao eleitor ponta-grossense assistir ao teatro. Uns saem do fim de semana com a colheita de solidariedade para a comunidade; outros saem com a poeira do pátio do Hildebrando de Souza nos sapatos e a incerteza de quem será o próximo a ganhar um crachá de visitante — ou de morador
What do you feel about this post?
Like
Love
Happy
Haha
Sad

