
Por Mayka Wogue / canallinguasolta.com / Imagem: Mayka Wogue O descarte imundo de móveis velhos ao lado dos contêineres da cidade não é ignorância: é preguiça, canalhice e um atestado escancarado de falta de civilidade. Parte da população adotou o péssimo hábito de tratar a calçada como estenção do seu próprio depósito de lixo, transferindo sem o menor pudor a sujeira da sua casa para a porta dos outros.
O cenário em frente ao Terminal de Vila Rio Branco é a maquete perfeita desse descalabro. Um local de passagem diária de centenas de trabalhadores e estudantes virou um monumento à imundície. Sofás mofados, colchões podres e armários caindo aos pedaços são jogados amadorosamente ao lado das caixas coletoras — que existem para lixo doméstico, não para os restos da sua reforma doentia.
A lógica deformada de quem comete esse ato é simples e covarde: “jogo na rua e o poder público que se vire”. Essa mentalidade de cidadão mimado gera estragos diretos:
Santuário de Pragas: O amontoado de madeira e estofado vira o habitat perfeito para ratos, escorpiões e focos do mosquito da dengue a poucos metros de quem espera o ônibus.
Afronta ao Pedestre: A calçada deixa de ser do cidadão e passa a ser do entulho. Quem tem mobilidade reduzida ou carrega um carrinho de bebê que se arrisque no meio do trânsito.
Efeito Manada da Sujeira: A imundície atrai mais imundície. O primeiro sofá abandonado vira o sinal verde para que outros porcos da vizinhança descarreguem seus restos no mesmo local.
Ter um móvel velho dentro de casa e não saber o que fazer com ele é um problema seu, não da coletividade. A prefeitura e os garis não são seus empregados particulares para recolher a bagunça e imundície que você não teve a capacidade de descartar corretamente.
A cidade não é um lixão a céu aberto, e a convivência em sociedade exige o mínimo de vergonha na cara. Quem joga entulho em via pública não está apenas sujando a rua: está declarando que não tem o menor respeito pelas pessoas que dividem o mesmo bairro e nem asseio, já que pelo estado dos móveis descartados, verifica-se a pocilga de onde reside.




