
O círculo vicioso da lama, do lixo e da falta de assistência que castiga quem menos tem.
Basta caírem as primeiras gotas para que o cenário de guerra retorne às ruas de Castro. O que para alguns é apenas “tempo ruim”, para centenas de famílias castrenses é o início de um pesadelo recorrente. Ruas alagadas, bueiros transbordando lixo e o desespero de quem ainda espera por telhas para cobrir o que as chuvas passadas levaram.
O Canal Língua Solta recebeu dezenas de relatos nas últimas horas. O grito é o mesmo: SOCORRO.
A Herança Maldita das Áreas de Banhado
Não há como falar de enchentes em Castro sem apontar o dedo para a raiz do problema: a falta de programas habitacionais sérios no passado e presente. Famílias foram empurradas para áreas de banhado e antigas invasões sob o olhar complacente do poder público. O que era para ser provisório virou permanente. Hoje, esses bairros estão legalizados no papel, mas abandonados na infraestrutura. O saneamento é deficiente e o solo cobra o preço de uma ocupação que nunca deveria ter acontecido sem o devido preparo.
SANEPAR: Tarifas de Primeiro Mundo, Agilidade de Tartaruga
A crítica à privatização dos serviços da SANEPAR ganha força a cada bueiro entupido. É visível que os serviços emergenciais perderam o ritmo, enquanto o valor das tarifas não para de subir. O morador paga caro para ter um serviço que, no momento do “perrengue”, se mostra lento e burocrático. O lucro parece estar acima do bem-estar social.
A Parcela de Culpa que Caminha pelas Ruas
Mas não podemos fechar os olhos para a nossa própria responsabilidade. O lixo que hoje entope a boca de lobo e faz a água invadir o comércio do vizinho foi descartado por alguém. A falta de consciência ambiental de parte da população alimenta esse círculo vicioso de caos e destruição. O lixo na rua hoje é o prejuízo dentro de casa amanhã.
O Que Fazer Agora?
Para as famílias sem telhas: A orientação imediata é procurar o CRAS de sua região. É um direito e uma necessidade urgente.
Para áreas de alagamento: O Canal Língua Solta já está protocolando pedidos de intervenção junto à Secretaria de Obras.
Até quando seguiremos assim? Soluções paliativas não resolvem problemas estruturais. Castro precisa de um choque de gestão habitacional e de uma fiscalização rigorosa sobre as concessionárias de serviço público. O povo não pode mais pagar a conta (em dinheiro e em sofrimento) pela omissão alheia.
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