
PROTEÇÃO À INFÂNCIA: Comitê de proteção promove ação educativa com alunos do Colégio Amélia na sede da OAB Por: Mayka Wogue / Canal LÃngua Solta ​ Se você passasse pela sede da OAB de Castro na última quarta-feira, veria um cenário vibrante: mais de 70 adolescentes do Colégio Estadual Professora Amélia Madalena Vaz reunidos. Mas não se tratava de uma palestra burocrática ou de um sermão daqueles que fazem os jovens olharem para o celular. O assunto ali era sério, urgente e, acima de tudo, humano: a proteção da infância e da adolescência.
​A ação, promovida pelo Comitê de Gestão Colegiada (CGC), trouxe para a mesa um debate que muitas vezes a sociedade silencia: como acolher de verdade uma criança ou adolescente vÃtima ou testemunha de violência?
​E a resposta para isso veio de forma lúdica, mas cirúrgica, através de um sÃmbolo inesperado: um elefante.
​O “Efeito Elefante” na Escuta Especializada
​Você já parou para reparar nas feições de um elefante? O comitê usou a anatomia do animal para dar uma verdadeira aula de empatia e psicologia prática para os alunos e profissionais presentes:
​Orelhas grandes: Para lembrar que o mais importante é ter uma escuta atenta.
​Olhos bem abertos: Para enxergar além do óbvio e perceber os sinais silenciosos de sofrimento.
​Boca pequena: O lembrete definitivo de que, na hora do acolhimento, a postura deve ser de não julgamento. Menos fala, nenhuma acusação, mais acolhimento.
​Confiança vs. Referência: Você sabe a diferença?
​Um dos pontos altos do encontro, explicado pela presidente do CGC, Juliana Silva Castro, foi a diferenciação entre duas figuras que mudam o destino de um jovem em situação de vulnerabilidade:
​O Profissional/Pessoa de Confiança: É quem está no dia a dia. O professor que repara no olhar triste, o pedagogo, a tia da cantina ou aquele familiar ponta firme. É a pessoa que inspira a segurança necessária para o primeiro desabafo.
​O Profissional de Referência: É o passo seguinte. O servidor público (da saúde, assistência social, esporte, cultura) devidamente capacitado. É ele quem pega esse relato, organiza as informações e faz o encaminhamento correto para garantir a proteção, sem expor a vÃtima.
​O basta definitivo na revitimização
​A campanha bateu forte em um termo técnico que todo cidadão deveria conhecer: revitimização.
​Sabe quando uma pessoa passa por um trauma e precisa recontar a mesma história dolorosa para o policial, para o médico, para o assistente social, para o juiz e para a famÃlia? Cada repetição é uma nova violência.
​O foco do CGC (que nasceu em 2023 unindo saúde, educação, assistência social e Justiça) é romper esse ciclo. O objetivo é que o primeiro acolhimento seja tão humanizado e eficiente que as informações fiquem registradas ali, poupando a criança de reviver o próprio sofrimento em looping.
​Por que isso importa para todos nós?
​Ver o ecossistema de Castro se mobilizando — unindo OAB, comitês municipais, escolas e a comunidade escolar — mostra que a proteção dos nossos jovens não é um dever “dos outros”, mas de cada um de nós.
​Aprender a ser “elefante” no dia a dia, apurando os ouvidos e fechando a boca para julgamentos, pode ser o limite entre salvar o futuro de um adolescente ou deixá-lo desamparado.
​E você? Tem sido ouvido ou julgamento na vida dos jovens ao seu redor? A lÃngua aqui tá solta, mas os ouvidos, hoje, estão bem atentos.



