
Por Mayka Wogue / localhost/blog_default/wordpress/ A engrenagem do tempo é implacável. Ela gira, os dias se transformam em anos, a rotina se impõe e a vida, de um jeito ou de outro, segue seu rumo. Mas para quem ficou, o relógio parece ter uma ferida aberta que nunca cicatriza por completo. Há exatos 14 anos, a brutalidade do mundo real arrancou de nós Cristiano Costa, o Cris, em um assalto que terminou da forma mais cruel e irreversível possível.
Naquele dia, quatro vidas dedicadas ao crime cruzaram o caminho de um homem cheio de planos, sonhos e amor para dar. A resposta do Estado foi ágil: antes mesmo que o corpo de Cris fosse sepultado, a polícia agiu rapidamente e prendeu os quatro envolvidos. Para o sistema judiciário, uma resposta rápida. Para quem amava o Cris, um consolo que nunca foi, e nunca será, suficiente.
A justiça dos homens pode prender, mas não tem o poder de restituir. Nada nos conforta. Nada preenche a ausência de quem foi arrancado do nosso convívio de forma tão violenta.
O Destino dos Culpados vs. A Injustiça do Fim
Ao longo desses 14 anos, o destino dos criminosos seguiu o roteiro previsível da criminalidade. Passaram pela prisão, voltaram às ruas, continuaram na vida bandida e, um a um, encontraram o fim em confrontos — seja com a polícia ou com as próprias leis implacáveis do submundo do crime. Eles tiveram suas escolhas, seus caminhos e suas chances.
Cris não teve.
A maior injustiça da violência urbana não está apenas na perda em si, mas no roubo do futuro. Cris foi impedido de:
Ver seu filho crescer e acompanhar cada conquista;
Conviver com a família e os amigos que tanto o estimavam;
Continuar a trilhar sua jornada de felicidade;
Simplesmente viver.
Enquanto os dias passam, nós aprendemos a conviver com a dor. A saudade ganha uma nova roupagem, vira rotina, mas o vazio permanece intacto. Fomos privados de um novo abraço, de um novo beijo, de ouvir aquele sorriso que iluminava o ambiente.
A Dor que Não Tem Fim
Dizem que o tempo cura tudo, mas quem perdeu alguém para a violência sabe que isso é um mito. O tempo apenas nos ensina a carregar o peso. 14 anos depois, a dor da ausência de Cris ainda pulsa.
Para o portal Canal Língua Solta, este não é apenas o registro de uma data no calendário da violência de segurança pública. É um manifesto de amor, uma homenagem à memória de quem permanece vivo em nossos corações e um lembrete doloroso de que, por trás de cada estatística, existe uma família cujo vazio jamais será preenchido.
Cris, sua luz e as lembranças do homem generoso que você foi continuam aqui. A saudade é eterna, assim como o nosso amor por você.


