
Por: Mayka Wogue / Canal Língua Solta A notícia da assinatura da Medida Provisória que zera o Imposto de Importação federal para compras de até US$ 50 trouxe um suspiro de alívio para milhões de brasileiros. Após quase dois anos sob a vigência da chamada “taxa das blusinhas”, criada pelo congresso, o governo federal recuou, admitindo, nas entrelinhas, que o peso no bolso do consumidor e o impacto logístico nos Correios superaram os benefícios da arrecadação.
No entanto, é preciso ler as letras miúdas dessa nova liberdade de consumo. O clima de “imposto zero” é uma ilusão matemática.
O Sócio Oculto: Os 17% do ICMS
Enquanto Brasília abre mão de sua fatia de 20% para tentar reaquecer o fluxo de encomendas e aliviar a pressão inflacionária sobre a baixa renda, as unidades federativas — incluindo o Paraná — permanecem imóveis. O ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) continua sendo a barreira final entre o clique e a entrega.
É fundamental que o consumidor entenda: a alíquota de 17% cobrada pelos estados não é um valor simples. Através do complexo cálculo “por dentro”, esses 17% se transformam, na prática, em um acréscimo de 20,48% sobre o valor total da compra (produto + frete).
A conveniência que custa caro
A manutenção do ICMS dentro do Programa Remessa Conforme garante que a mercadoria chegue mais rápido e sem surpresas na alfândega, já que o tributo é pago no ato da compra. Mas o fato é que, mesmo com a renúncia federal, o Estado continua sendo um sócio relevante em cada par de meias ou acessório eletrônico que atravessa a fronteira.
No Paraná, a manutenção da alíquota em 17% coloca o estado em uma posição intermediária frente a vizinhos que já ensaiam elevar esse índice para 20% ou mais. Ainda assim, é uma carga tributária que não pode ser ignorada.
O Equilíbrio Delicado
O governo federal justifica a isenção afirmando que o mercado foi “regularizado”. Na prática, o que vemos é uma tentativa de remediar o rombo financeiro na logística pública e o descontentamento popular. Contudo, enquanto o debate sobre a “justiça tributária” com o varejo nacional continua acalorado, o contribuinte paranaense deve ficar atento: a União cedeu, mas a máquina estadual segue operando a todo vapor.
A “taxa das blusinhas” pode ter mudado de sobrenome, mas o custo Brasil, vestido com o colete dos impostos estaduais, continua batendo à nossa porta.
Portal Canal Língua Solta
A informação sem amarras.
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