
O anúncio de R$ 30 milhões da Itaipu Binacional para a construção de 160 casas populares em Castro não é apenas uma notícia de infraestrutura; é um choque de realidade que expõe o deserto de investimentos habitacionais em que a cidade mergulhou nos últimos anos. O fato é incômodo para alguns, mas os números não mentem: o último grande fôlego de moradias dignas por aqui remete à era Dilma Rousseff. Agora, novamente, o recurso chega via governo federal e pelas mãos de quem realmente articulou.
É preciso dar nome aos bois. Enquanto deputados da região e representantes locais pouco ou nada apresentaram na questão habitacional na última década, limitando-se a discursos de redes sociais, o empenho do deputado federal Aliel Machado junto ao presidente da Itaipu, Enio Verri, meus amigos de longa data, foi o que garantiu que Castro entrasse no mapa do programa “Itaipu Mais que Energia”. É uma vitória política de um campo que, embora combatido por alas conservadoras da cidade, é o que efetivamente está colocando o “prego na madeira”.
E onde estão as verbas estaduais? Se puxarmos pela memória, a conta de moradias populares financiadas puramente pelo governo do estado em Castro nas últimas décadas é de uma secura alarmante. Na hora de colocar o teto sobre a cabeça do trabalhador, o dinheiro tem vindo de uma direção bem específica, fruto de uma articulação técnica e política que os nossos representantes “da casa” não conseguiram — ou não quiseram — viabilizar.

]
Entretanto, o investimento milionário traz consigo fantasmas conhecidos. O sistema Wood Frame é fascinante — casas erguidas com a agilidade de um dia — mas a velocidade da obra não pode ser a mesma da “malandragem“.
A sombra do Alvorada e o rigor necessário
Não podemos permitir que a “festa da uva” que se viu no Alvorada se repita. A comunidade não esqueceu as vendas de chaves e o uso de critérios que, para muitos, pareceram tudo, menos transparentes, afinal papel aceita tudo. Para este novo ciclo de 2026, nós precisam ser apertados com força:
O Filtro da Verdade: A seleção das 160 famílias — incluindo as 68 já cadastradas em áreas de enchente — precisa ser cirúrgica. A lista com os nomes dos selecionados devem constar com bastante antecedência nos diários oficiais, para que a própria população possa denunciar pessoas mau intencionadas e evitar possíveis fraudes. Quem já foi beneficiado em projetos passados e dilapidou o patrimônio público vendendo o que ganhou deve estar fora da lista. Moradia popular é política social, não balcão de negócios.
A “Retomada” do Solo: O que a prefeitura fará com o vazio deixado nas áreas de invasão? Se a gestão municipal apenas retirar as famílias e deixar o terreno à mercê da sorte, em menos de uma semana teremos novas ocupações. A prefeitura tem o dever de transformar essas áreas em parques ou equipamentos públicos no minuto seguinte à demolição dos antigos barracos.
Trava Jurídica: É fundamental que os contratos prevejam barreiras reais contra a venda. O beneficiário precisa entender que a casa é um direito de morar, não um ativo para especulação financeira rápida.
Castro recebe um aporte de R$ 30 milhões por competência de quem buscou o recurso em Brasília. A tecnologia Wood Frame é o futuro, mas a gestão precisa abandonar os vícios do passado. Que a transparência não seja apenas uma palavra bonita, mas uma prática sentida por cada cidadão que espera, há anos, por um lugar digno para viver.
O povo está de olho. E a história não perdoa quem transforma direito social em silêncio administrativo ou moeda política. (Programa Língua Solta anunciando os recursos há 7 meses atrás)
What do you feel about this post?
Like
Love
Happy
Haha
Sad

