
Parece que o tempo não ensina, mas a soberba, essa sim, ensina a cair. A atriz Cássia Kiss, conhecida por defender com unhas e dentes uma “família tradicional” que, por ironia do destino (ou pura contradição), ela mesma já desafiou em sua trajetória pessoal, volta ao centro do palco. Mas, desta vez, não é por uma atuação memorável, e sim por sua insistência em protagonizar cenas deploráveis de intolerância, agora nos corredores de um shopping no Rio de Janeiro.

Do Quartel ao Banheiro: A Obsessão pelo Controle
Para quem passou o final de 2022 fazendo figuração em frente a quartéis — buscando uma intervenção que só existia na sua própria imaginação febril — o salto para a “fiscalização de banheiros” foi curto. Cássia Kis, a mesma que dispara clichês sobre a destruição da família alheia, parece ter muito tempo livre para ditar quem pode ou não exercer o direito básico de usar o banheiro.
O episódio recente com Roberta Santana, uma mulher transexual que trabalha no local e possui toda a documentação civil em dia, é apenas o desdobramento natural de um discurso que, lá atrás, tentou invalidar a existência de milhares de pessoas sob o pretexto de “moralidade”.
O Judiciário Acorda (ainda que devagar)
Cássia, que já é ré em ações civis públicas movidas pelo MPF, pela Antra e pelo ator José de Abreu, agora descobre que a sua “liberdade de expressão” não é um salvo-conduto para o discurso de ódio.
A Justiça brasileira, munida da decisão do STF que equipara a transfobia ao racismo, não está para brincadeira:
O peso da Lei: Estamos falando de crimes imprescritíveis e inafiançáveis. A ideia de que se pode destilar preconceito em nome de um dogma religioso caiu por terra diante da realidade jurídica.
A conta chega: Entre multas pesadas e a condição de ré em processos federais, a “defensora da moral” terá muito tempo para explicar aos magistrados por que sua visão de mundo deveria sobrepor-se aos direitos fundamentais de cidadãs como Roberta.
A Hipocrisia como Estratégia
O “Língua Solta” não perdoa: o que vimos no Barra Shopping não é defesa da família; é um ataque deliberado à dignidade humana. É a velha estratégia de quem, ao sentir o poder escorrer pelos dedos, tenta desesperadamente demarcar território em espaços públicos, acreditando que seu nome de batismo ainda carrega o peso de uma autoridade que, na verdade, ela mesma jogou no lixo ao se tornar porta-voz da intolerância.
Cássia Kiss tem a chance de aprender o que é, de fato, a “lei”: ela não é seletiva, não é baseada em “ideologia de gênero” e, definitivamente, não protege quem acha que pode humilhar o próximo impunemente.
Que os tribunais sigam o rito, e que a sociedade entenda: o preconceito, seja em frente a um quartel ou dentro de um shopping, tem nome, tem lei e, finalmente, tem consequências.
Artigo por Mayka Wogue
Canal Língua Solta — A notícia sem filtro, a verdade sem rodeios.
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