A Fatura do Negacionismo e o Egoísmo do Braço Estendido ao SUS

Publicado em Por Mayka
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Por Mayka Wogue / canallinguasolta O debate sobre a vacinação no Brasil ganhou contornos de uma injustiça fiscal e moral inaceitável. Enquanto celebramos um salto histórico na imunização infantil nos últimos três anos — com uma redução drástica de 86% nas crianças “zero-dose” —, assistimos de braços cruzados à terceira idade bater no teto dos 48% de cobertura vacinal na região Sul. No Paraná, metade dos idosos escolhe ignorar a ciência. E a pergunta que o cidadão de intelecto, que paga seus impostos em dia, deve fazer é: até quando seremos obrigados a pagar a conta dessa escolha?
​A premissa é simples: toda escolha pressupõe arcar com as consequências. Se um idoso, blindado por convicções ideológicas ou alimentado por correntes de desinformação em redes sociais, reivindica o “direito” de recusar a vacina contra a Influenza ou a Covid-19, ele deveria, por pura coerência, abrir mão do socorro estatal quando a conta da doença chegasse.
​Na contramão da lógica, o que vemos é o pior dos mundos. O negacionista clama por liberdade absoluta na hora de estender o braço para a agulha, mas exige o coletivismo absoluto do Sistema Único de Saúde (SUS) na hora em que o pulmão falha. É uma conta que não fecha e que sobrecarrega o bolso de quem escolheu a responsabilidade.
O Custo Invisível da Ignorância
​Manter um paciente idoso em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) custa milhares de reais por dia aos cofres públicos. É um dinheiro escasso, que sai dos impostos municipais e estaduais, e que poderia ser investido em exames de rotina, cirurgias eletivas represadas ou na compra de medicamentos para quem realmente não teve escolha sobre a sua doença.
​Quando metade da população idosa do Sul decide sabotar as campanhas de saúde por capricho político, ela não está exercendo um direito individual; está praticando um ato de vandalismo orçamentário contra o município. O vírus da gripe não escolhe partido político, mas a conta do leito hospitalar escolhe o bolso do contribuinte.
​Embora as amarras da Constituição de 1988 impeçam o Estado de adotar medidas drásticas — como a suspensão legítima de atendimentos médicos ou o bloqueio de benefícios do INSS para quem sabota a saúde pública —, a provocação moral precisa ser feita às claras. Se o pacto social prevê que a saúde é um dever de todos, quem se recusa a fazer a sua parte deveria ser colocado no fim da fila da solidariedade coletiva. (CONTINUA APÓS PUBLICIDADE)

A Coerção Funciona, a Consciência Falha
​O contraste com a vacinação infantil escancara a hipocrisia desse cenário. Por que as crianças estão protegidas? Porque para elas a lei dói no bolso e na burocracia dos pais. No Paraná, sem a Declaração de Vacinação Atualizada (DVA), não há matrícula escolar. Se os pais insistem no erro, o Conselho Tutelar bate à porta e o Ministério Público aplica multas. Diante da punição real, o negacionismo dos pais derrete.
​Com os adultos e idosos, o Estado brasileiro apostou na “conscientização”. O resultado está aí: leitos ocupados por doenças que seriam evitadas com uma única dose gratuita na unidade básica de saúde mais próxima.
​O negacionismo que hoje trava a imunização da terceira idade no Sul do país não é um posicionamento político respeitável; é um privilégio caro, bancado com o dinheiro de quem se vacina. Se a lei não pode punir o bolso de quem recusa a prevenção, que a opinião pública trate de dar o nome correto a essa conduta: egoísmo social disfarçado de liberdade. Para nós do localhost/blog_default/wordpress/, o idoso tem total liberdade de se recusar a imunização, desde que abra mão de todo o tratamento fornecido pelo SUS no caso de contaminação, e no caso de contaminação de terceiros, que seja responsabilizado criminalmente por tentativa de homicídio.