
(Por Mayka Wogue/Edritora) Hoje, 22 de abril, o calendário oficial nos impõe a memória de um “descobrimento”. Mas, para quem observa a história com o olhar crítico de quem investiga a realidade — e não de quem repete livros escolares carcomidos —, o que celebramos é apenas a perpetuação de uma farsa.
Ao longo de poucos dias, o Brasil é forçado a engolir três grandes mentiras que sustentam, até hoje, a exclusão da nossa cidadania.
1. O Mito da “Invasão” e o Apagamento Originário
A narrativa de 1500 é a estratégia política que deu início ao nosso desmonte. Ao chamar de “descobrimento” o ato de chegar a uma terra onde milhões de pessoas já viviam, organizavam suas sociedades e administravam seus recursos, Portugal estabeleceu o primeiro grande golpe.
O que se segue é um cinismo pedagógico: o dia dos povos originários — os verdadeiros donos e guardiões desta terra — passa quase esquecido no calendário ou, quando lembrado, é reduzido a uma representação pejorativa e caricata. Reduzir culturas milenares a uma “fantasia de penas” é a estratégia para esvaziar a dignidade desses povos. Se a escola ensina que eles são “folclore”, o Estado se sente legitimado para tratar seus territórios como mercadoria e suas vozes como inexistentes.
2. Tiradentes: O Ícone de Papelão
O mais curioso é o que escolhemos canonizar. Criamos um feriado para o mito de Tiradentes, um personagem transformado pela República em um ícone convenientemente heroico e inofensivo. Enquanto o país para em reverência a um “santo” da nação, as reais lutas populares, que exigiam justiça e soberania, continuam sufocadas pela elite. Tiradentes é o feriado que serve para mascarar a ausência de revoluções reais.
3. A Estrutura que Permanece: Da Coroa à Burocracia Atual
Essa mentalidade de “dono do território” nunca nos deixou; apenas mudou de mãos e sotaque. Ela se materializa hoje na burocracia estatal que exclui o cidadão das decisões.
As audiências públicas da LDO: Vazias, ignoradas, desenhadas para que o povo se sinta alienado.
A gestão corporativa: Onde o interesse público é sistematicamente sacrificado em favor de grupos econômicos, tal como o faziam os colonizadores com os recursos da terra.
A Missão do canallinguasolta.com
Não estamos aqui para aplaudir datas oficiais. O 22 de abril não é dia de festa; é dia de reconhecer que a nossa história é um campo de batalha. Enquanto não admitirmos que as bases da nossa administração pública ainda operam com a lógica colonial — tratando o orçamento como propriedade privada e o cidadão como estrangeiro em sua própria casa —, continuaremos no erro.
A verdadeira transparência começa quando paramos de aceitar as fábulas do colonizador e passamos a exigir a nossa voz nas decisões que nos afetam. A nossa maior arma contra a ineficiência é a verdade.

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