
Por: Mayka Wogue / Canal Língua Solta O mês de maio carrega consigo uma cor que não serve para enfeitar, mas para alertar. O Maio Laranja não é apenas mais uma campanha protocolar no calendário institucional; é uma convocação urgente à responsabilidade coletiva. Instituído em memória da menina Araceli Crespo — cuja trágica história há mais de 50 anos chocou o país —, o dia 18 de maio nos obriga a olhar de frente para uma realidade incômoda, mas que exige o fim do silêncio: o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes.
Em Castro, a mobilização da rede municipal de proteção ao longo deste mês mostra que o enfrentamento a esse tipo de violência não se faz de forma isolada. Quando a Prefeitura articula simultaneamente as pastas de Assistência Social, Saúde, Educação e o Centro da Juventude, ela desenha o único cenário capaz de sufocar a impunidade: a descentralização do cuidado e o fortalecimento do olhar atento.

Os números e os relatos de violência infantojuvenil no Brasil historicamente assustam, mas o caminho para mudar essa engrenagem começa no território local. O avanço técnico, como a atualização do fluxograma de atendimento pela Vigilância em Saúde para garantir uma escuta qualificada e sem revitimização, é um passo fundamental. Paralelamente, as ações que levaram psicólogos, assistentes sociais e conselheiros tutelares para dentro das escolas municipais e privadas — promovendo rodas de conversa sobre autocuidado e respeito de forma adequada a cada faixa etária — provam que a informação é a primeira barreira de defesa de uma criança.
Mais do que a atuação técnica dos equipamentos como CRAS e CREAS, chama a atenção o envolvimento comunitário e intergeracional promovido na cidade. Ver idosos do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos caminhando e confeccionando as simbólicas flores laranjas ao lado de estudantes do Abapan e da Escola Dalila Ayres é o reflexo exato do que preconiza o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA): a garantia dos direitos da infância é um dever compartilhado entre o Estado, a família e a sociedade.
A proteção integral não termina quando o mês de maio vira a página. Os painéis confeccionados pelos jovens do CEJU e as faixas expostas nas fachadas públicas servem de lembrete diário.

O combate à violência sexual infantojuvenil exige vigilância permanente.
Nós, enquanto sociedade, precisamos manter os olhos bem abertos e a “língua solta” para denunciar. Romper o ciclo do silêncio é o primeiro e mais corajoso passo para proteger quem ainda não pode se defender sozinho.
📞 Canais de Denúncia em Castro:
Disque 100: Serviço nacional gratuito, anônimo e disponível 24 horas por dia (inclusive finais de semana e feriados).
Conselho Tutelar de Castro: Atendimento presencial e telefônico direto na unidade.
CRAS e CREAS: Equipamentos socioassistenciais do município abertos para acolhimento, orientação e encaminhamentos.
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