
Por: Mayka Wogue / Canal Língua Solta O Brasil perdeu, nesta terça-feira, não apenas um produtor musical, mas o arquiteto de uma identidade sonora que atravessou décadas e uniu o país em frente à tela e ao rádio. Guto Graça Mello, falecido aos 78 anos, foi o homem que compreendeu, antes de todos, que a imagem precisava de uma alma musical para se tornar eterna.
Se hoje recordamos a sensualidade de Gabriela, a distopia de Saramandaia ou o despertar lúdico de Pirlimpimpim, é porque Guto estava lá, nos bastidores da Som Livre e da TV Globo, orquestrando cada nota. Ele não era apenas um técnico; era um visionário que transformou a trilha sonora de novela em um dos pilares da cultura popular brasileira.
O Toque de Midas da MPB
Sua trajetória foi um divisor de águas. Guto teve a sensibilidade de produzir o pop libertário de Rita Lee, o romantismo refinado de Maria Bethânia e o fenômeno de massas que foi Xuxa. Mais do que números de vendas — que chegaram à casa dos milhões —, ele entregou qualidade técnica em uma era de transição tecnológica.
Foi também um “olheiro” implacável. Ter Cazuza e Lulu Santos como seus assistentes na gravadora não foi um acaso do destino, mas o reflexo de um ambiente que respirava criatividade sob sua liderança.
Um Legado que Não se Apaga
Para o jornalismo cultural e para quem trabalha com a comunicação, a lição de Guto Graça Mello é clara: a excelência está nos detalhes. Do tema do Fantástico aos acordes de Jardins da Babilônia, ele provou que o comercial e o artístico podem, sim, caminhar de mãos dadas quando há talento e rigor profissional.
O velório, que acontece nesta quarta-feira no Cemitério São João Batista, marca a despedida física de um gigante. Mas, enquanto houver uma abertura de novela emocionando um telespectador ou um clássico da MPB tocando em algum lugar, o “padrão Guto” de qualidade continuará vivo.
A música brasileira ficou um pouco mais silenciosa hoje, mas o eco de sua obra é eterno.

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