O Convite da Vergonha e a República das Exceções

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O Brasil parece ter estacionado definitivamente no terreno do absurdo. O anúncio de que o ministro Kassio Nunes Marques, ao assumir a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), incluiu em sua lista de convidados não um, mas dois ex-presidentes condenados pela Justiça, ultrapassa o limite da cortesia institucional. É um escárnio contra a ordem democrática e uma bofetada na face de cada brasileiro que ainda acredita na igualdade perante a lei.
​A presença de Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado, somada à de Fernando Collor de Mello, também condenado, transforma o que deveria ser uma cerimônia de Estado em uma vitrine de impunidade. O magistrado, alçado à corte mais alta do país pelas mãos de um dos bandidos convidados, parece confundir gratidão pessoal com dever público. Ao estender o tapete vermelho para quem atentou contra as instituições e para quem foi sentenciado por corrupção, o ministro transforma o TSE em uma reunião de confraria.
​A Porteira da Impunidade
​A questão que se impõe agora é de uma gravidade jurídica sem precedentes: Se o Judiciário autorizar a saída de um condenado em regime domiciliar para “brindar” em uma posse festiva, que autoridade restará para manter qualquer outro criminoso atrás das grades?
​Se a presença em um coquetel em Brasília for considerada justificativa aceitável para romper as restrições de uma condenação, abre-se uma jurisprudência perversa que afeta todo o sistema prisional:
​Privilégio de Casta: A restrição de liberdade deixa de ser uma sanção penal para se tornar uma sugestão opcional, dependendo de quão influentes são os seus amigos.
​Efeito Cascata: Qual será o argumento para negar que qualquer detento do país — seja ele um assaltante ou um fraudador — saia para o aniversário de um aliado ou para um evento social de “prestígio”?
​O STF Diante do Espelho
​A bola está com o Supremo Tribunal Federal. Manter a dignidade da Justiça exige o mínimo de coerência. Se a lei é para todos, o rigor da execução penal não pode ser flexibilizado para atender ao ego de quem vê a República como um puxadinho de interesses particulares.
​Permitir esse “espetáculo bizarro”, com dois condenados em lugar de honra na corte que deveria zelar pela lisura do país, seria oficializar que, no topo da pirâmide, o crime não apenas compensa, mas também dá direito a canapés e tapete vermelho. O país não precisa de mais um capítulo de surrealismo; precisa de magistrados que lembrem que a toga serve à Constituição, e não aos seus compadres de ocasião e crimes.

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