
A contagem regressiva para a Copa do Mundo de 2026 já começou e, com ela, ressurge o eterno e incômodo debate que orbita o futebol brasileiro: a convocação de Neymar. No entanto, o que deveria ser uma discussão técnica e tática transformou-se em um impasse institucional. Hoje, a presença do atacante na Seleção Brasileira assemelha-se à presença de um elefante em uma loja de cristais: desnecessária, inconveniente e perigosa para o equilíbrio do grupo.
Insistir na escalação de Neymar para o próximo ciclo mundialista representa um gravame que o futebol nacional não precisa carregar. O atleta, que outrora carregou a esperança do hexa, atualmente não passa de um bibelô de mau gosto e valor elevado. Nada acrescenta ao coletivo dentro das quatro linhas; fora delas, seu nome encontra-se confinado a páginas de fofocas, polêmicas e bastidores policiais.
Estamos diante de um esportista de talento outrora inquestionável, que poderia ter produzido muito mais para a história do esporte. Contudo, a combinação de uma completa falta de postura profissional com o erro histórico — e quase criminoso — de parte da imprensa esportiva em blindá-lo e idolatrá-lo gerou um abscesso incômodo no futebol do país. Criou-se um “intocável” que já não entrega resultados que justifiquem sua soberania.
Se a análise passional divide opiniões, os números — frios e irrefutáveis — encerram o debate. Nos últimos quatro anos, o atacante esteve em campo por aproximadamente 1.720 minutos. Isso equivale a míseras 28 horas e 40 minutos de jogo oficial, somando suas atuações na Copa do Mundo, Eliminatórias e em suas passagens por PSG, Al-Hilal e Santos. O motivo de tamanha ausência? Um histórico alarmante de lesões graves.
Conforme dados consolidados por plataformas de monitoramento esportivo como Sofascore, FotMob e O Gol, nos últimos quatro anos Neymar passou um total de 807 dias afastado dos gramados sob os cuidados do departamento médico. Em termos práticos, o jogador passou mais de dois anos e dois meses indisponível, o que corresponde a assustadores 65,4% de todo o ciclo preparatório para a Copa do Mundo.
A matemática é simples e a conta não fecha. Manter a Seleção Brasileira refém de uma narrativa de dependência de um atleta que passa quase dois terços do tempo lesionado não é estratégia; é teimosia. O Brasil precisa de renovação, de compromisso e de atletas focados no esporte.
O Canal Língua Solta reitera: insistir no erro de outrora não trará o futuro que o torcedor espera. É hora de desapegar dos ídolos de barro e reconstruir a dignidade do nosso futebol.
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