
Por Mayka Wogue / canallinguasolta.com A internet, em sua infinita capacidade de dar palanque a quem pouco tem a dizer, testemunhou nesta tarde mais um episódio lamentável de covardia digital. Maurício De Moura, indivíduo que se autointitula jornalista e se abriga sob a aba do grupo “Reportes Pr”, resolveu destilar comentários declaradamente LGBTQIAPN+fóbicos em uma postagem que debatia, justamente, a diversidade. O episódio não é apenas um vexame isolado; é o reflexo de um problema muito mais profundo que corrói tanto a segurança das minorias quanto a credibilidade da imprensa.
A resposta ao ataque, contudo, foi imediata: o crime foi formalmente denunciado à Meta para que as providências cabíveis de moderação e exclusão sejam tomadas na plataforma, e o caso seguirá diretamente para o Ministério Público (MP). Para começo de conversa, é preciso dar o nome correto ao que aconteceu: homofobia é crime. Desde 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) equiparou a lgbtfobia ao crime de racismo (Lei nº 7.716/1989). Agredir, discriminar ou incitar o ódio contra a comunidade LGBTQIAPN+ em redes sociais não é “liberdade de expressão”. É crime virtual, inafiançável e imprescritível.
As punições para esse tipo de conduta são severas. Por ter sido cometido em ambiente virtual (redes sociais), o crime se enquadra na forma qualificada da lei, com pena de reclusão de dois a cinco anos, além de multa. O autor do crime também fica sujeito a responder civilmente por danos morais coletivos e individuais, além de enfrentar o risco real de banimento permanente das plataformas digitais. A tela do computador não é um escudo de imunidade; é apenas o rastro digital da intolerância.
O caso ganha contornos ainda mais graves quando o autor da ofensa se escuda atrás do título de “jornalista”. O jornalismo sério pressupõe ética, responsabilidade social e, acima de tudo, o respeito aos direitos humanos. Quando figuras sem qualquer preparo técnico, discernimento ou graduação acadêmica se apropriam do microfone para validar preconceitos estruturais, a profissão é aviltada.
A ausência de exigência do diploma abriu margem para que qualquer aventureiro da internet se autodeclare cronista da realidade. O resultado está aí: a proliferação de páginas caça-cliques que, sob o manto do “jornalismo independente”, operam como usinas de linchamento virtual.
O público, o Ministério Público e as plataformas precisam exercer uma fiscalização rigorosa sobre quem se intitula comunicador. Ser jornalista exige bagagem e compromisso com a verdade. Quem usa o espaço público para cometer crimes virtuais e atacar a existência de outras pessoas não é jornalista; é apenas um intolerante que agora terá de prestar contas à Justiça. O canallinguasolta.com, repudiam veementemente toda e qualquer forma de discriminação, seja ela de cunho sexual, raça, idade filosóficas, etc. e juntamente com sua editora Mayka Wogue, entrará com ação civil e criminal contra o autor.
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