
O ano era 1984, o mundo era sacudido por noticias de uma nova doença que vinha se espalhando rapidamente nos EUA, Europa e chegando ao Brasil.
Chamada pejorativamente como “peste gay” ou “câncer gay”, a nova enfermidade era causada por um vírus, o hiv e causava a Síndrome de Imunodeficiência Humana, (sida), e se espalhava rapidamente entre as comunidades lgbtqiapn+.
No início dos anos 80 um jovem de família tradicional de nossa cidade se muda para São Paulo, na capital paulista trava conhecimento e amizade com artistas e modelos, entre eles a atriz Sandra Brea, passa a realizar desfiles e se destaca nas passarelas.
Em meados de 1984, retorna a Castro com a saúde debilitada, a família ao saber do diagnóstico consegue acompanhamento médico em Curitiba, o Hospital das Clinicas corre contra o tempo e prepara um quarto de isolamento para receber o novo paciente. Mas no H.C. da capital não havia uma ala de isolamento? Sim, havia, mas lembremos que era o ano de 1984, a aids ainda era uma novidade, pouco ou quase nada se sabia sobre o vírus e suas formas de contágio, portanto, construiu-se em regime de urgência um quarto com os mais rígidos protocolos de segurança biológica da época.
Mesmo com todo o emprenho da equipe médica paranaense, o jovem precisou retornar aos cuidados médicos da capital paulista onde veio a falecer no dia 08 de março de 1985.
A noticia de seu falecimento e a especulação das causas de sua morte espalhou-se pela pequena, pacata e preconceituosa cidade de Castro.
O hospital paulista, criou um rígido protocolo de segurança para liberar o corpo, várias camadas de pomadas bactericidas refrigeradas em nitrogênio, o corpo congelado em uma urna de madeira hermeticamente lacrada e esta urna ainda foi depositada em outra urna de zinco, também hermeticamente lacrada.
Seguindo esse protocolo, amigos e familiares puderam realizar um velório na casa durante a madrugada, uma rápida missa de corpo presente foi realizada na Capela do Asilo São Vicente de Paula e seguiu para o cemitério municipal Frei Mathias.
Durante algum tempo, muitas pessoas evitavam até mesmo passar pela alameda onde se situa o jazigo, o medo de uma doença nova, a falta de informação o preconceito e o estigma sobre o hiv/aids, sobreviveram durante décadas, e infelizmente vemos resquícios até os dias de hoje.
Apesar dos grandes avanços da medicina e o Brasil ser referencia mundial no tratamento, vivemos um grande retrocesso, as campanhas de prevenção são quase nulas no pais, atualmente se fazem apenas duas campanhas anuais, uma no carnaval e outra em primeiro de dezembro, no Dia Mundial de Luta Contra a Aids.
Infelizmente os governantes ignoram que a prevenção é mais barato e muito mais eficiente que qualquer tratamento, gasta-se bilhões tratando os infectados, mas quase nada em campanhas que previnem a contaminação.
Em Castro, são alarmantes os índices de contaminação, abrangendo pessoas de todas as idades, classes socias e gênero.
O Estúdio e Fundação Titia Zélia Canal Língua Solta solicitou à Secretaria De Saúde os dados atualizados do município em fevereiro de 2025, até o momento não obtivemos resposta.
Sem um estudo sério e efetivo sobre o assunto, nenhum trabalho de prevenção pode ser executado com eficácia, e quanto mais o tempo passa, mais pessoas se contaminam e infelizmente perdem a vida.
What do you feel about this post?
Like
Love
Happy
Haha
Sad

