
Escrever Sobre alguém que admiramos é muito complicado, somem as palavras para se objetivar um sentimento, principalmente quando essa pessoa é mestre versada nas palavras Roseli Terezinha Kuka Valente.
Um furacão em forma de mulher, o ano era 1996, turma de magistério do Colégio Vespaziano, primeiro dia de aula, a empolgação e adrenalina me consumia, eis que entra na sala de aulas a professora Roseli, fico aparvalhada, mal da tempo de respirar, entra na sala fazendo a oração do “Pai Nosso”, enquanto nos levantávamos em sinal de respeito a oração, ela depositava bolsa e livros sobre a mesa e se dirigia à frente da turma, encerra a oração com a frase “Menino Jesus, Abençoai-nos”.
Enquanto tentávamos tomar nossas carteiras, a chamada já corria solta, em menos de cinco minutos, a aula já estava em andamento.
Língua portuguesa, literatura e didática de português, não foi fácil se adequar ao ritmo eletrizante, Gil Vicente, Camões, Graciliano Ramos, Bocage, O Guarani, Os Lusíadas, A Divina Comédia, Iracema…, os grandes mestres, os grandes clássicos ecoavam pela sala de aulas e povoavam nossas mentes débeis de adolescentes, catacrese,metonímias, paráfrases, análises sintáticas e morfológicas…
As aulas delirantes de fonéticas…
No primeiro bimestre, a odiava…, era impossível acompanhar seu ritmo alucinante, fazer anotações e acompanhar a obra de Beth Griff, por sorte, os anos de teatro me tornaram uma boa observadora, logo na primeira prova achei o segredo, exemplos muito utilizados, era certeza na prova.
Não sei se para bem ou para mal, achei o ponto certo acompanhar as aulas, mais relaxada e podendo realmente conhecer os grandes mestres da literatura e suas obras.
Passei a admirar,como consegue energia para tantas aulas, como consegue declamar a obra de Beth Griff página por página, simples, amar o que faz e fazer com mestria.
O ciclo do magistério se encerrou para mim, para Roseli continuou, por mais longos anos, quase impossível encontrar uma professora em Castro, que não tenha sido aluna de Roseli Teresinha Kuka Valente.
Anos se passaram, passei a dar aulas de teatro e direção, reencontro a Mestra Roseli no Teatro Bento Mossurunga, ela, trazendo suas novas alunas para uma atividade, eu como a diretora do espetáculo, passa-se mais um tempo, assino contrato com uma editora para meu primeiro livro, preciso de alguém que realmente ame a literatura e a língua portuguesa para fazer a verificação ortográfica e prefaciar, o nome que me vem à cabeça é único a Mestra Roseli, e ela o fez, não só um, mas dois de meus livros carregam a honra de serem prefácios pela Mestra Roseli.
Passados 20 anos continuo admiradora desta pitonisa do saber, sacerdotisa do conhecimento, mestra do educar.
Obrigada querida professora Roseli Teresinha Kuka Valente, pelos ensinamentos, por acreditar e incentivar uma adolescente que fugia a todos os padrões, que destoava de toda uma sociedade, a seguir em frente, a acreditar que era possível, e que tudo dependia da coragem de quem enfrenta os obstáculos.
Cada vez que sento para escrever um novo livro, uma matéria, um novo filme, lembro dos seus ensinamentos, fecho os olhos e vejo as imagens da senhora declamando Camões, José de Alencar, Graciliano Ramos, Pedro Vaz de Caminha, suas aulas de fonéticas e de como eram inebriantes.
Fica registrada a eterna gratidão desta, entre centenas, quiçá milhares, de alunas que foram moldadas por suas mãos e guiadas por seus ensinamentos.
Gratidão. Mayka Wogue 15/02/2026
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