COMO QUEIMAR R$ 134 MILHÕES EM UM SHOW DE HORRORES PASTELÃO QUE NEM IRÁ PARA OS CINEMAS

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Para quem trabalha com cinema ou minimamente respeita os neurônios que tem na cabeça, ler as 107 páginas do roteiro vazado de Dark Horse não é apenas uma perda de tempo; é um teste de resistência estomacal. Esqueçam as investigações, o sumiço do dinheiro ou os rolos jurídicos internacionalizados. Vamos falar da “arte”. Vamos falar do texto. E, acima de tudo, vamos rir para não chorar.
​Como é que a produção que se jacta de ser a mais cara da história do audiovisual brasileiro — com um orçamento de R$ 134 milhões que faria qualquer diretor sério chorar de emoção — consegue a proeza de ter seu roteiro jogado na internet antes mesmo de ter um mísero trailer pronto? Em qualquer lugar do mundo, isso daria demissão em massa por quebra de confidencialidade. Aqui, expõe o amadorismo gritante de uma trupe que acha que fazer cinema é o mesmo que administrar grupo de WhatsApp.
​O script, que traz as digitais intelectuais de Mário Frias, funciona como se o desenho animado O Fantástico Mundo de Bob tivesse sido colonizado pela Cracolândia. Onde prometeram uma cinebiografia heroica de alcance internacional, entregaram uma peça de propaganda ideológica tão canhestra que beira o delírio psicotrópico. Aliás, que Frias entende de arte e cinema é tão verdadeiro quanto a existência de astronautas em Marte. Sejamos honestos: o único papel minimamente aceitável e lembrado de sua “brilhante” carreira artística foi o do deputado carioca corrupto na novela Senhora do Destino. Olhando para o roteiro atual, a gente finalmente entende por que ele interpretou aquele personagem com tanta naturalidade.

​Os diálogos de seu novo “projeto” parecem saídos da mente de um adolescente da quinta série em um dia de fúria. Ver o protagonista do filme discursar solenemente sobre a necessidade de “falar com o coração, com a alma e com os ovos do saco”, ou soltar a pérola filosófica de que “boatos são como peidos, vêm de cus”, destrói qualquer possibilidade de o espectador levar aquela palhaçada a sério. Não há refinamento técnico, não há ritmo, não há decência literária. É o suco da cafonice elevado à milionésima potência.
​Mas o ápice do ridículo involuntário está nas cenas de ação. O roteiro consegue transformar o ex-ministro Gilson Machado (carinhosamente apelidado de “Zico”) em um herói de filme B dos anos 80 que, no meio de explosões de fumaça, nocauteia dois bandidos usando… um violão. É o soco na mesa da verossimilhança. A suspensão da descrença não foi apenas quebrada; ela foi espancada e jogada de um penhasco. Para fechar o circo, os vilões parecem saídos de um desenho do Scooby-Doo: o antagonista se chama “Aurélio Barba” e grita “Pelo povo! Pela revolução!”, enquanto a trama se resolve desmascarando um complô liderado por uma caricatura careca do STF. Não é cinema. É a materialização de um surto coletivo de internet em formato de script.
​Para fins de humilhação técnica: obras-primas nacionais recentes e de prestígio internacional, como Ainda Estou Aqui, entregam atuações viscerais, roteiros impecáveis e impacto global custando R$ 45 milhões — uma fração dessa aberração. Dark Horse gasta o triplo para entregar um texto que serve apenas para gerar memes imediatos e piadas impiedosas nas redes sociais.
​O vazamento dessas 107 páginas prestou um grande serviço público: provou que o verniz de Hollywood prometido por eles não passa de latão enferrujado. Se a intenção era criar uma obra perene, Mário Frias e seus asseclas conseguiram criar o primeiro filme da história que já nasce morto, enterrado e satirizado antes mesmo de estrear. Lavem o rosto com água gelada, caros leitores, porque o cinema nacional acaba de ser submetido a um verdadeiro atentado ao pudor estético.

Uma centelha de conforto acalenta o espírito de quem tem o mínimo de bom gosto e respeito pela sétima arte, essa lavanderia de dinheiro sujo apelidado de filme, não irá para as salas de cinema no dia 11 de setembro, isso porque já nasceu enterrado em uma montanha de irregularidades regulatórias graves, escândalos de financiamento e disputas judiciais.
​Abaixo estão os pontos centrais que explicam a situação:
​1. Irregularidades junto à Ancine (Sem registro legal)
​Para que qualquer filme estrangeiro seja filmado e exibido comercialmente no Brasil, a legislação exige que a produção seja realizada em parceria com uma produtora brasileira registrada na Ancine (Agência Nacional do Cinema), cumprindo obrigações da Instrução Normativa nº 79.
​Investigações jornalísticas revelaram que a produtora responsável (Go Up Entertainment) jamais protocolou a documentação nos sistemas da agência.
​Sem esses registros, contratos validados e vistos de trabalho adequados para a equipe estrangeira, a produção operou de forma irregular no país. O processo na Ancine foi classificado como “informação inexistente” e acabou arquivado definitivamente. Sem o aval regulatório, o filme não pode receber o certificado para ser distribuído nos cinemas nacionais.
​2. Escândalo de Financiamento e Prisão do Investidor
​O financiamento do longa se tornou o centro de uma forte crise política. Conversas vazadas mostraram negociações para o repasse de cerca de US$ 24 milhões (aproximadamente R$ 134 milhões) por parte do banqueiro Daniel Vorcaro (ex-controlador do Banco Master).
​Vorcaro foi preso pela Polícia Federal por suspeita de fraudes financeiras e o banco sofreu liquidação pelo Banco Central.
​As investigações agora apuram o fluxo desse dinheiro e se os milhões enviados ao exterior foram de fato para a produção ou se serviram para outras finalidades, congelando o andamento institucional do projeto.
​3. Processos Trabalhistas e Problemas no Set
​As filmagens no Brasil foram marcadas por denúncias de trabalhadores e figurantes brasileiros. Relatos apontam condições precárias de trabalho, pagamentos abaixo da média de mercado, calotes em locações e funcionários que alegaram ter sido enganados sobre o real teor político da obra. Vários profissionais articulam ações judiciais contra os realizadores.
​4. Direitos Autorais e Trilha Sonora
​A produção também enfrentou barreiras internacionais de propriedade intelectual. Um dos teasers de divulgação utilizou a música “Survivor”, do grupo Destiny’s Child, sem a devida autorização. A organização BeyGood (fundada pela cantora Beyoncé) acionou os meios legais para exigir a retirada imediata do material do ar.
​Como a produção, do ponto de vista regulatório e legal, “nunca existiu” formalmente nos arquivos do órgão regulador brasileiro e está envolvida em uma complexa teia judicial e política, a sua distribuição para as salas de cinema do país permanece travada e sem previsão de acontecer.

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